quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Quarenta e Nove

Às vezes vem o silêncio que toma de assalto a mente dos mortais. Às vezes vem a loucura que nos toma os pensamentos, que nos faz mudar de mundo, nem que seja por breves instantes aqueles que são apenas e só, nossos, aqueles que simplesmente não compartilhamos com mais ninguém. Nesta insanidade vão e voltam as ideias que recorrentemente julgamos perdidas, aquelas que temos dificuldade em encontrar. Pensamos nelas soltas no turbilhão de vontades que sentimos todos os dias em que abrimos os olhos, ao acordar, ou simplesmente quando saímos da dormência em que, por vezes, nos encontramos.

Com veemência, sugamos toda a energia que nos rodeia, a que emanamos nós mesmos, mas também a que nos é enviada, umas vezes com amor, outras apenas com desprezo, daqueles que nos amam, dos que nos detestam, daqueles a quem simplesmente incomodamos ou dos que não sentem nada por nós. E é nesta roda viva de energias cruzadas que te encontrei, no encontro e desencontro das emoções que as canções que me cantas me fazem sentir, assim, louca, livre, fiel a ti, somente a ti, que me embalas com a tua mão, quando me tocas no ombro, ou passas o teu braço pela minha cintura, como se me sentisses em ti, tão junto a ti, que quase podíamos ser só um.

E na tormenta deste pensamento, conto os dias e as horas do mundo, para voltar a encontrar os teus olhos, no cruzamento das energias em planos verticalmente isolados, ou horizontalmente cruzados, conto os tempos do relógio, não de forma obsessiva, simplesmente com o desejo de que o teu olhar cruze o meu na intensidade daquilo que sinto quando te penso e sinto entrar na minha alma... pode não resultar, pode até simplesmente não acontecer, mas era tão importante que neste tubo de ensaio se criasse o elixir de qualquer coisa tão simples como o existir por momentos, a criação momentânea, instântanea, fugaz mas forte, forte o suficiente para tatuar a lua que sempre nos olha de cima com ar de aprovação.

Agora que o ciclo se quebrou por fim, que dele já nada resta e me sinto completamente livre para dar o passo seguinte, aquele que se dá em frente, na perseguição do que ainda não tivémos como nosso, mas que sei chegará, é o momento certo para tudo o que aqui dito neste pedaço de tempo se concretize com a simplicidade com que o escrevo.

Chegarás a tempo?