domingo, 17 de julho de 2011

Sessenta e Dois

Tão longa ausência, da escrita de amores e desamores...tão demoradamente distante das nostalgias constantes que pautaram sempre a agnosticidade dos meus dias, das minhas lutas, daquilo que me ajudou e continua a ajudar na caminhada pelos trilhos inconstantes do ser, do estar, do agir. Sempre envolta na neblina que coage todas as ações, muitas delas inconformadamente inigualáveis e para as quais não existe alternativa. O ser humano tem uma capacidade extraordinária de luta, de adaptação, de serenidade, de auto-controlo. É verdadeiramente interessante analisar o que nos move. Move-nos a vontade que se extingue na realização, a surpresa de alcançar algo que poderia ser simplesmente inconquistável...surtamos por vazes na loucura absurda dos sentimentos trocados, que não conseguimos gerir, nem da forma útil, nem da inútil, nenhuma delas nos serve os intentos.

Reinventamos realidades, compromissos, objetivos esquisitos, mas que se entranham em nós qual perfume frutado que nos faz crescer água na boca. Na surdez dos gritos que nos ecoam na nossa vã expressão de desejo, encaixamos os desafios como criações do destino para nos alentar a caminhada que não se dá por finda, que nos ladeia todos os dias que fazem a nossa verdadeira noção de vida ser o único fim com sentido. Tolhemos o que não nos faz sentido, mas é difícil discerni-lo...por vezes, encontramos no caos aquilo que afinal nos faz falta, o que nos poderá vir a dar sentido. Enganamo-nos porque achamos que sempre tudo tem que fazer sentido...às vezes não faz, às vezes esse sentido é tardio, existirá depois de nos por à prova, depois de nos experimentar, de nos testar e verificar se temos ou não a fibra suficiente para continuar.

Provaremos que sim, provaremos sempre que sim, até deixar de fazer sentido, porque a Vida vale demasiado a pena para nos deixarmos ir abaixo por caprichos que apenas nos provam o quão fortes somos e o quão gostamos e merecemos por aqui andar.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sessenta e Um

Não me apetece falar, não me apetece rir nem chorar, nem viver este momento que me controla o desejo inflamado de algo mais. Não quero segregar os sentimentos, mas também não os posso evitar. Não há reciprocidade possível no bater do meu coração nem no correr do meu sangue em veias desfeitas pela intemporalidade daquilo que não pedi para sentir.
Avanço, todos os dias, absorta na inércia daquilo que não desejei. Agradeço, as oportunidades, ainda que de certa forma envenenadas, que me chegam a conta gotas, apesar das inúmeras batalhas travadas noutro sentido. Abandonei todos os meus sonhos, sinto que cada dia que passa se afastam mais de mim, daquilo que sou, e aos poucos, nesta melancólica mutação reajo ainda com alguma foça contra o que não quero, o que não desejo. Revolto-me, ainda que de nada sirva, porque simplesmente não sou ouvida. Sofro, todos os dias, de formas diferentes, mas sofro. Não me chameis ignóbil nem maníaca nem paranóica nem neurótica. Não o sou. Não o entendo. Não o quero.
Não me rotuleis daquilo que apenas me caracteriza na insatisfação com todos os dias me levanto e abro os olhos para o mundo que sempre conheci mas que agora se pinta e veste de cores diferentes, daquelas que me ferem o olhar e me causam náuseas profundas que pelos vistos me impedem de partilhar. Parece que não tenho direito a expressar-me, a falar, a revelar o turbilhão de emoções e dúvidas e incertezas que vão aos poucos consumindo todos os meus bons sentimentos e tudo aquilo que sempre fui…durante uma vida, aquela que tenho, a que conheço, aquela que faz de mim mulher, adolescente, criança.
Viajo todos os dias para além da minha imaginação, mas depois, tudo se desfaz quais castelos de algodão que nunca chegam a ser realidade. Não sei mais sequer que realidade é essa, voltou-me costas há muito, e quando pensei que finalmente estava de volta, uma intemperi fez com que novamente levasse para bem longe tudo o que projectei. Não tenho direitos, tenho deveres, para comigo, para com os outros, mas eu, presa em mim, dentro do que nunca fui, luto sempre sozinha, dou sempre tudo o que tenho e o que não tenho, nunca à espera de retorno, porque na verdade, quando achei que finalmente esse retorno viria até mim, afastou-se, não chegou, ficou a meio caminho porque há sempre algo que é mais forte do que eu, e eu, fico sempre para o fim…e quando chega esse fim, já nada sobra para me consolar.