domingo, 18 de maio de 2008

Catorze

Vieste de mansinho, com algum pudor contar-me segredos que eu já conhecia. Os segredos que me contaste não eram novidade porque já sabia todos os detalhes da existência humana que querias partilhar. Não te condeno mas não posso aceitar o que me querias propor. Demasiadamente estranha a atitude e incomportável para a minha maneira de ver e estar no mundo que gosto e quero partilhar com quem me rodeia. Eu convenço-me de forma lenta mas quando acontece é determinada, com pouca probabilidade de voltar atrás no caminho. Não minto, apenas relego para segundo plano decisões difíceis e que me fazem quebrar rotinas que gosto aparentemente de manter. Decido. Nessa altura rompo com as heresias que me perturbam e penso em traçar novo caminho, mais largo, onde através do espaço me envolvo em melodias ocasionais que me satisfaçam o ego e a mente que ininterruptamente requer estímulos para se manter activa.

Gostava de não me ter enganado e ter seguido os meus instintos. Aprendi a lição. os nossos instintos são realmente importantes e significativos e nunca, nunca nos devemos esquecer disso, porque por vezes, dessa lucidez depende a forma como vivemos e a felicidade ou não que nos completa enquanto seres humanos que povoamos um mundo que teimamos em querer melhorar.

O adeus nem sempre é até logo.

Treze

Na veleidade dos mundos que se atravessam na nossa vida qual relâmpago perpétuo, corre o sangue nas veias de quem sonha um dia chegar além...e além onde é? Onde fica além? Na verdade não sei onde fica esse lugar que gostaria todos os dias de minha vida encontrar. Caminho a passos lentos, levianos até, brincando por entre as pedras da calçada que teima em me roer os saltos dos sapatos, e penso em ti, em mim, no amanhã, no ontem, na voz e no choro de quem um dia pensou que o mundo era cor de rosa, ou púrpura talvez...mas que sorria sempre para nós.

O esquecimento cai na memória trôpega que sobrevive no cérebro que alimentamos todos os dias com resquícios de sentimentos, de coisas visuais que nos complementam o ser. Todos os dias de nossa vida julgamos os outros e nos julgamos a nós, umas vezes por cânones correctos, outras simplesmente com os parâmetros que queremos que sejam os correctos. Não temos caminho traçado...talvez devêssemos ter, acordar com o destino o caminho que gostaríamos de percorrer despreocupadamente e sem pensar no amanhã que se segue com as demais preocupações da vida mundana que acompanhamos diariamente.

Naturalmente dependentes uns dos outros, soltamos de cada vez um suspiro diferente, e olhamos as palmas das mãos seguindo as suas linhas à espera de conseguir perceber onde começam e acabam as nossas expectativas. As linhas estão marcadas à nascença, como a nossa sorte? Ou tão simplesmente a pudemos mudar tal qual mudamos o rumo do que escolhemos para nós assumidamente como bom, positivo, valorável? Não façamos perguntas estranhas, nem tentemos adivinhar o fim anunciado do que quer que seja, soltemos um bocejo que nos adormece até ao dia seguinte que esperamos, com certeza, ser melhor do que os outros e na vida sã que queremos levar, o entendemos como o melhor que temos de nós para nós, e que isso é mesmo a coisa mais importante do mundo.