Momentos houve em que pensei não voltar, que simplesmente me deixaria ficar por ali, em sítio incerto, desconhecido, no meio de gente que nunca vi e partilhando esse mesmo desconhecimento e sulcando a passo, o caminho que gostaria de seguir. Não tive tempo, na verdade, não tive coragem, ainda não tive coragem. Este sentimento de que falo, a coragem, nem sempre aparece na nossa vida nos momentos mais oportunos, outras há, em que teima em aparecer, e quando vem, que se aproveite, que se use, que se sinta, sempre com a mesma intensidade com que sentimos o frio, o calor, a dor...o amor! Quando não a aproveitamos ela foge, desaparece, vai embora, e quando a chamamos, quando infindavelmente a chamamos, ela esconde-se em tempo e sítio incerto, deixando-nos perdidos, à procura de rumo...com todas aquelas ideias que temos, as que queremos e as que simplemente desejamos que desapareçam.
Nas viagens que faço, em todas, as reais e as imaginárias, procuro sempre pela coragem, aquela que me vai ajudar a sair do labirinto em que tantas vezes me encontro...e na que agora terminei, percebi que na verdade, os labirintos somos nós que os inventamos, e também somos nós que nos colocamos neles, em ataques esquizofrénicos de super protecção e medo, quando na verdade, o que queremos mesmo é voar, voar, voar na ecleticidade que nos completa, naquela que criamos para nos diferenciarmos dos outros e que com mais ou menos sucesso nos distingue dos demais.
E é bonita esta diferença, esta particularidade por vezes quase obscena de tão real que é! O nunca idílio de sermos eternamente únicos e verdadeiros connosco e com os outros, na certeza porém, da crítica esperada, deseperada, de quem nunca entende ou vai entender a particularidade da essência de cada um, acompanha-me, todos os dias da minha existência!
Porque a diferença é sem dúvida o meu lema, diferentemente me sinto a cada passo que dou na direcção ao desconhecido...