segunda-feira, 27 de julho de 2009

Trinta e Dois

Dias volvidos após o descanso do guerreiro, fervilha a minha mente de ideias, umas antigas, outras mais recentes...todas elas as que me entorpecem o sorriso, umas porque não vejo o seu fim, outras porque espero simplesmente o seu começo. E nesta balada suave que me guia por entre as incoerências dos meus dias, imagino quais cenas Shakspearinas, as minhas próprias vivências, umas mais tristres, outras menos...sobretudo imagino as que simplesmente ainda não tive tempo nem oportunidade de viver.

Momentos houve em que pensei não voltar, que simplesmente me deixaria ficar por ali, em sítio incerto, desconhecido, no meio de gente que nunca vi e partilhando esse mesmo desconhecimento e sulcando a passo, o caminho que gostaria de seguir. Não tive tempo, na verdade, não tive coragem, ainda não tive coragem. Este sentimento de que falo, a coragem, nem sempre aparece na nossa vida nos momentos mais oportunos, outras há, em que teima em aparecer, e quando vem, que se aproveite, que se use, que se sinta, sempre com a mesma intensidade com que sentimos o frio, o calor, a dor...o amor! Quando não a aproveitamos ela foge, desaparece, vai embora, e quando a chamamos, quando infindavelmente a chamamos, ela esconde-se em tempo e sítio incerto, deixando-nos perdidos, à procura de rumo...com todas aquelas ideias que temos, as que queremos e as que simplemente desejamos que desapareçam.

Nas viagens que faço, em todas, as reais e as imaginárias, procuro sempre pela coragem, aquela que me vai ajudar a sair do labirinto em que tantas vezes me encontro...e na que agora terminei, percebi que na verdade, os labirintos somos nós que os inventamos, e também somos nós que nos colocamos neles, em ataques esquizofrénicos de super protecção e medo, quando na verdade, o que queremos mesmo é voar, voar, voar na ecleticidade que nos completa, naquela que criamos para nos diferenciarmos dos outros e que com mais ou menos sucesso nos distingue dos demais.

E é bonita esta diferença, esta particularidade por vezes quase obscena de tão real que é! O nunca idílio de sermos eternamente únicos e verdadeiros connosco e com os outros, na certeza porém, da crítica esperada, deseperada, de quem nunca entende ou vai entender a particularidade da essência de cada um, acompanha-me, todos os dias da minha existência!

Porque a diferença é sem dúvida o meu lema, diferentemente me sinto a cada passo que dou na direcção ao desconhecido...

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