Escondo-me na ausência da palavra e refugio-me nos sentimentos doentes que de vez em quando me consomem. Nas gargalhadas ocasionais sinto o ânimo que me deveria embalar todos os dias da minha vida porque só assim tudo faz sentido. nos momentos que os meus lábios não esboçam sorrisos, apetece-me ficar assim, imóvel, taciturna até, envolta nos pensamentos mais pueris que me ocorrem. Outras vezes, apenas me esqueço do tempo e vivo no vazio em que algumas sensações se tornaram. São vazias, não porque quero, apenas porque infelizmente se tornaram nisso. E é isso que me atormenta. Atormenta-me a vontade de sair do poço mais profundo e a falta de razão...ou razões...não julgo as situações, vivo-as apenas assim, de forma intensa e verdadeira.
Há acções que não se tomam e palavras que não se pronunciam, nunca, e sei que também já partilhei este pensamento, se estou a fazê-lo novamente é porque há recorrência e isso não é bom. Há tanta coisa que não é boa, que não revela a verdade, que não revela o que realmente interessa,, o que vale mesmo a pena, aquilo que realmente nos move. Estou assim, embebida nos aromas da saudade do que ainda não vivi, do que ainda não tive oportunidade de conhecer e teima em tornar-se tão difícil de chegar. E esforço-me, tento, mas tudo é em vão, de nada vale. Não vale o que tentas, o que fazes, não vale o empenho, a energia gasta, não vale tudo o que apostas, vale o inócuo, aquilo que se forma antes, o que faz de nós algo, e que nos marca sempre dentro desse algo ad eternum. Na verdade deixa de haver contemplações. Em boa verdade nem há necessidade de haver contemplações, há apenas as necessidade de se ver além, de olhar um pouco mais adentro daquilo que se forma na nossa mente a respeito de algo. Há barreiras, há preconceitos que por vezes não permitem esse mais além.
E depois todas as palavras são demais e todas as palavras são insuficientes. E depois todos os sentimentos são demais e todos são insuficientes. E depois tudo em que acreditamos não existe e setimo-nos enganadas. E depois tudo deixa de ser verdade e passa a ser mentira.
E de repente, sai-nos o chão debaixo dos pés e não sabemos mais para onde correr, por onde caminhar, que direcção tomar...e tudo fica vazio, escuro, e tudo o que queríamos deixa de existir ou de se poder tornar nosso...e depois, depois temos que arranjar forças para seguir...
ainda estou à procura dessas forças...hoje estou à procura dessas forças...
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