Vejo as gaivotas sobrevoarem a maré,
Vejo o sopro do vento ondular meus cabelos,
Agitar a penumbra do medo,
Vejo o mar envolto em tormenta,
Desalinhar as minhas palavras,
Torturar os sentidos que me perturbam.
Olho e sinto o frio do ar que respiro,
Da nuvem que por mim chora na sua acidez natura,
Aniquilando todas as formas do meu ser.
Secretamente escuto o meu grito,
Os meus gritos,
Todas as palavras que aprendi a dizer,
E que repetidamente soletro de cada vez que falo.
Junto as mãos e rezo pelo amanhã,
Pelo futuro que não conheço,
E pelo que não sei.
Na verdade não me interessa esse futuro,
Mais longe todas as marés vão e vêm,
Soltam a espuma branca qual gaivota em terra,
Deambulando pela areia escura da praia, deixando suas pegadas,
Como nós deixamos sempre que nos fazemos ouvir.
Acalmo os meus ímpetos,
Na solidão que me rodeia,
Acalmo a minha forma de estar neste emaranhado de histórias,
Nesta estupidez aparente que ruma sem parar.
Julgo o sol porque aparece,
Julgo a noite porque chega mais cedo,
Julgo-me a mim porque existo
E não consigo existir como quero.
Sinto sempre a frustração do ser que sou
Que não é nada daquilo que sonhei ser
Tenho medo da frustração,
Tenho esse medo todos os dias em que não consigo,
Em que sei que não consegui, mesmo assim luto,
Umas vezes em vão...outras nem tanto.
Mas o mar azul, sobrevoado por gaivotas felizes,
De ondas rebeldes que espumam a areia branca e fina,
Esse mar teima em tardar...em não querer me molhar os pés,
Em me refrescar, o corpo, e sobretudo a alma.
...porque hoje me sinto assim, sem rumo...
1 comentário:
Desconhecia esta veia em ti.
Hoje também me sinto um pouco assim, sem rumo, ou melhor eu sei qual o rumo a caminhar só não sei onde está o início e pelo-me pelo que me trará o fim.
Pergunto-me porque raio resolvi eu caminhar pelos turtuosos caminhos duma tese de mestrado. Pânico e medo.
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