segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Quarenta e Três

Cedemos por vezes apenas e só ao ímpeto do momento, sem demorados pensamentos e delongas sobre o que devemos ou não fazer, sobre o que é e o que não é permitido, muitas vezes agindo tão simplesmente pela irracionalidade que também nos caracteriza enquanto seres humanos mutáveis! Outras vezes agimos de forma programada, mas também estes actos nos podem deixar felizes, assim, tão simplesmente felizes... Somos na forma, o resultado da nossa essência, e esta essência joga-se no tabuleiro da vida com todas as peças que vamos colecionando, com tudo o que dela faz parte...os sonhos também. São sonhos o que nos alimenta a alma, são sonhos as particulas que nos entram pela memória adentro, que nos tomam o corpo, tão insanamente por vezes, que nos fortalecem o desejo e culminam outras tantas com gestos oblíquos de insensatez perversa.

Não nos culpemos nunca pelo que nos faz felizes ainda que momentaneamente, não nos culpemos nunca por tudo aquilo que mal fadamente nos atormenta depois,; na verdade, muito pior seria atormentar-nos apenas e só a ideia de algo que podia ter sido e nunca foi. Não nos arrependamos nunca do que não fizemos, apenas do contrário, porque assim temos sempre a certeza que tudo foi uma opção, boa ou má não interessa, vivemos! E é para viver que estamos cá, uma vezes sós, outras acompanhados, pela temperança, pela modéstia, pelo medo mas também pela coragem de ser e de fazer, de sentir e de sorrir, mesmo quando apenas lágrimas temos para expressar

Um hino à vida, à sensação de estar, de ser e de receber, de nós e dos outros as sensações do que temos vivido, às barreiras que temos encontrado e que tão corajosamente enfrentámos com valentia e coragem. Na vida apenas há um sentido, o de continuar a caminhar em frente, sem olhar para trás, porque no dia em que cedemos a esta tentação, retrocedemos cem passos, reavaliamos o que não tem reavaliação possível, porque nunca os momentos se repetem, nunca as sensações são as mesmas, nunca um momento vale o mesmo duas vezes. Somos infinitamente maiores do que tudo isto!

Os sons, os cheiros, as emoções que não voltam mas que nos apertam o coração de todas as vezes que nos invadem, todas as imagens que guardamos para sempre na memória, e todas as outras que nem sempre lembramos, mas que sabemos lá estarem, são o alimento do nosso ser, são a força que nos faz continuar este caminho e ter a certeza que pertencemos sempre a algo, a algum lugar, onde tudo se encontra, e onde a nossa raíz sempre se alimenta.

Vivo num lugar encantado, onde todas as maravilhas do mundo se somam à certeza que o ser feliz é muito mais do que uma imagem desfocada que por vezes a minha mente foca...

domingo, 11 de outubro de 2009

Quarenta e dois

Na catarse daquilo que nos transforma ou tão simplesmente daquilo que nos faz assumir o nosso Eu, enquanto Ego sunt, relembra que é muito bom estar vivo, rir, dançar, mergulhar de cabeça nas emoções de sentir, de ser.

Deixar o corpo vibrar ao som do que nos faz verdadeiramente felizes, sem medos nem pudores, entregar-se ao ritmo sensual dos sons que nos enebriam a alma, mas sobretudo o coração, vivendo cada momento com a intensidade que merece, entre olhares fortes, directos, entre mãos que se tocam e por breves momentos se unem, em segundos fugazes, ou em demorados minutos. E aquela sensação que nos percorre o corpo e nos enche de vontade de não parar, contenta-nos por algumas horas, faz-nos sobretudo acelerar a respiração e pedir para que dure um pouco mais. A pele macia que acaricio com carinho e que me desperta a vontade de a sentir encostada à minha, tal e qual como as nossas mãos estiveram, sem pudores nem preconceitos...sem perguntas. E ao ritmo do som que ambos escutamos, os nossos corpos se encaixam e rodopiam com a lentidão que o momento exige, e sinto-me simplesmente a flutuar nos braços fortes que me seguram como se eu fosse quebrar a qualquer momento, e quando encosto o meu rosto ao seu peito ou quando o olho intensamente nos olhos, parece que ambos gostaríamos de dizer algo mais, que simplesmente não se diz porque a timidez do momento o não permitiu...

Agrada-me esta insanidade descontrolada, a mesma que me faz querer desvirtuar a complexo do conservadorismo que eu odeio...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Quarenta e Um

Hoje sinto-me assim, a levitar por entre as nuvens de um céu cinzento que exala em toda a sua força as gotas de água, pérfida mas também perfumada. Na penumbra em que me deito todas as noites sinto sempre uma pequena luz, ao longe, ao fundo de tudo, e sempre penso quando é que esse pequeno fio de luz se transformará em clarão, o clarão que guiará a minha vida pelos caminhos certos...os que me farão apenas só, feliz...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quarenta

Nas sombras que entoam os meus medos, encontro sem grande regularidade os raios de luz que me conduzem. primeiro devagar, pé ante pé, como se caminhasse em direcção ao precipício, depois um pouco mais depressa, como o vento que sopra e remexe sem parar os nossos cabelos e os desalinha inequívocamente. Por fim, com esta caminhada quase concluída, viajo em pensamentos até à terra do nunca, à minha terra do nunca...sento-me na escada suspensa em nuvens que aleatoriamente se colocam sobre a minha cabeça e sinto todos os meus pensamentos se transformarem em coágulo que me decepa as ideias risonhas, ou como algures ouvi cantar, os orgasmos risonhos da vida.

A música mostra-nos na sua quietude ou nos seus soluços mais fortes, o prazer da companhia de alguém, alguém que nos mostra como as letras mais expressivas combinadas com as melodias mais belas, nos fazem sentir definitivamente enebriados pela constelação de notas perpendiculares que nos enternecem a alma e nos confundem o olhar, como se o mundo acabasse amanhã e não tivessemos tempo para mais nada.

E neste vai e vém de ideias que poisam em meus pensamentos em mui nobre apresentação, desfaço as bolas de sabão que vejo pairar no ar, cheia de cores qual arco-íris, e solto um grito esquivo, simplesmente para aliviar a vontade louca que tenho de partir, ainda que sem rumo nem destino definido.

Indefinidamente à espera, por agora apenas trago a almofada de vento e cobertor de suspiros para pernoitar neste espaço que simplesmente não me apetece partilhar...