sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quarenta

Nas sombras que entoam os meus medos, encontro sem grande regularidade os raios de luz que me conduzem. primeiro devagar, pé ante pé, como se caminhasse em direcção ao precipício, depois um pouco mais depressa, como o vento que sopra e remexe sem parar os nossos cabelos e os desalinha inequívocamente. Por fim, com esta caminhada quase concluída, viajo em pensamentos até à terra do nunca, à minha terra do nunca...sento-me na escada suspensa em nuvens que aleatoriamente se colocam sobre a minha cabeça e sinto todos os meus pensamentos se transformarem em coágulo que me decepa as ideias risonhas, ou como algures ouvi cantar, os orgasmos risonhos da vida.

A música mostra-nos na sua quietude ou nos seus soluços mais fortes, o prazer da companhia de alguém, alguém que nos mostra como as letras mais expressivas combinadas com as melodias mais belas, nos fazem sentir definitivamente enebriados pela constelação de notas perpendiculares que nos enternecem a alma e nos confundem o olhar, como se o mundo acabasse amanhã e não tivessemos tempo para mais nada.

E neste vai e vém de ideias que poisam em meus pensamentos em mui nobre apresentação, desfaço as bolas de sabão que vejo pairar no ar, cheia de cores qual arco-íris, e solto um grito esquivo, simplesmente para aliviar a vontade louca que tenho de partir, ainda que sem rumo nem destino definido.

Indefinidamente à espera, por agora apenas trago a almofada de vento e cobertor de suspiros para pernoitar neste espaço que simplesmente não me apetece partilhar...

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