sábado, 19 de outubro de 2013

Sessenta e Quatro

Escondo-me na ausência da palavra e refugio-me nos sentimentos doentes que de vez em quando me consomem. Nas gargalhadas ocasionais sinto o ânimo que me deveria embalar todos os dias da minha vida porque só assim tudo faz sentido. nos momentos que os meus lábios não esboçam sorrisos, apetece-me ficar assim, imóvel, taciturna até, envolta nos pensamentos mais pueris que me ocorrem. Outras vezes, apenas me esqueço do tempo e vivo no vazio em que algumas sensações se tornaram. São vazias, não porque quero, apenas porque infelizmente se tornaram nisso. E é isso que me atormenta. Atormenta-me a vontade de sair do poço mais profundo e a falta de razão...ou razões...não julgo as situações, vivo-as apenas assim, de forma intensa e verdadeira.
Há acções que não se tomam e palavras que não se pronunciam, nunca, e sei que também já partilhei este pensamento, se estou a fazê-lo novamente é porque há recorrência e isso não é bom. Há tanta coisa que não é boa, que não revela a verdade, que não revela o que realmente interessa,, o que vale mesmo a pena, aquilo que realmente nos move. Estou assim, embebida nos aromas da saudade do que ainda não vivi, do que ainda não tive oportunidade de conhecer e teima em tornar-se tão difícil de chegar. E esforço-me, tento, mas tudo é em vão, de nada vale. Não vale o que tentas, o que fazes, não vale o empenho, a energia gasta, não vale tudo o que apostas, vale o inócuo, aquilo que se forma antes, o que faz de nós algo, e que nos marca sempre dentro desse algo ad eternum. Na verdade deixa de haver contemplações. Em boa verdade nem há necessidade de haver contemplações, há apenas as necessidade de se ver além, de olhar um pouco mais adentro daquilo que se forma na nossa mente a respeito de algo. Há barreiras, há preconceitos que por vezes não permitem esse mais além.
E depois todas as palavras são demais e todas as palavras são insuficientes. E depois todos os sentimentos são demais e todos são insuficientes. E depois tudo em que acreditamos não existe e setimo-nos enganadas. E depois tudo deixa de ser verdade e passa a ser mentira.
E de repente, sai-nos o chão debaixo dos pés e não sabemos mais para onde correr, por onde caminhar, que direcção tomar...e tudo fica vazio, escuro, e tudo o que queríamos deixa de existir ou de se poder tornar nosso...e depois, depois temos que arranjar forças para seguir...
ainda estou à procura dessas forças...hoje estou à procura dessas forças...

Sessenta e Três

Há sempre o que não se controla...o que não se quer dizer, o que não se sente..ou então, há sempre o que se diz porque efectivamente a nossa mente assim pensa e os nossos sentimentos escondem o que de facto se passa em nós. Racionalmente sempre contamos o que é mais correcto, talvez aquilo que achamos mais correcto, mas nas alturas de sentir, sentimos e pronto. O erro, é que nem sempre nos perguntamos o que sentimos e muito menos vezes reflectimos sobre isso...não escutamos o nosso coração, o nosso sentir e isso é tudo.

domingo, 17 de julho de 2011

Sessenta e Dois

Tão longa ausência, da escrita de amores e desamores...tão demoradamente distante das nostalgias constantes que pautaram sempre a agnosticidade dos meus dias, das minhas lutas, daquilo que me ajudou e continua a ajudar na caminhada pelos trilhos inconstantes do ser, do estar, do agir. Sempre envolta na neblina que coage todas as ações, muitas delas inconformadamente inigualáveis e para as quais não existe alternativa. O ser humano tem uma capacidade extraordinária de luta, de adaptação, de serenidade, de auto-controlo. É verdadeiramente interessante analisar o que nos move. Move-nos a vontade que se extingue na realização, a surpresa de alcançar algo que poderia ser simplesmente inconquistável...surtamos por vazes na loucura absurda dos sentimentos trocados, que não conseguimos gerir, nem da forma útil, nem da inútil, nenhuma delas nos serve os intentos.

Reinventamos realidades, compromissos, objetivos esquisitos, mas que se entranham em nós qual perfume frutado que nos faz crescer água na boca. Na surdez dos gritos que nos ecoam na nossa vã expressão de desejo, encaixamos os desafios como criações do destino para nos alentar a caminhada que não se dá por finda, que nos ladeia todos os dias que fazem a nossa verdadeira noção de vida ser o único fim com sentido. Tolhemos o que não nos faz sentido, mas é difícil discerni-lo...por vezes, encontramos no caos aquilo que afinal nos faz falta, o que nos poderá vir a dar sentido. Enganamo-nos porque achamos que sempre tudo tem que fazer sentido...às vezes não faz, às vezes esse sentido é tardio, existirá depois de nos por à prova, depois de nos experimentar, de nos testar e verificar se temos ou não a fibra suficiente para continuar.

Provaremos que sim, provaremos sempre que sim, até deixar de fazer sentido, porque a Vida vale demasiado a pena para nos deixarmos ir abaixo por caprichos que apenas nos provam o quão fortes somos e o quão gostamos e merecemos por aqui andar.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sessenta e Um

Não me apetece falar, não me apetece rir nem chorar, nem viver este momento que me controla o desejo inflamado de algo mais. Não quero segregar os sentimentos, mas também não os posso evitar. Não há reciprocidade possível no bater do meu coração nem no correr do meu sangue em veias desfeitas pela intemporalidade daquilo que não pedi para sentir.
Avanço, todos os dias, absorta na inércia daquilo que não desejei. Agradeço, as oportunidades, ainda que de certa forma envenenadas, que me chegam a conta gotas, apesar das inúmeras batalhas travadas noutro sentido. Abandonei todos os meus sonhos, sinto que cada dia que passa se afastam mais de mim, daquilo que sou, e aos poucos, nesta melancólica mutação reajo ainda com alguma foça contra o que não quero, o que não desejo. Revolto-me, ainda que de nada sirva, porque simplesmente não sou ouvida. Sofro, todos os dias, de formas diferentes, mas sofro. Não me chameis ignóbil nem maníaca nem paranóica nem neurótica. Não o sou. Não o entendo. Não o quero.
Não me rotuleis daquilo que apenas me caracteriza na insatisfação com todos os dias me levanto e abro os olhos para o mundo que sempre conheci mas que agora se pinta e veste de cores diferentes, daquelas que me ferem o olhar e me causam náuseas profundas que pelos vistos me impedem de partilhar. Parece que não tenho direito a expressar-me, a falar, a revelar o turbilhão de emoções e dúvidas e incertezas que vão aos poucos consumindo todos os meus bons sentimentos e tudo aquilo que sempre fui…durante uma vida, aquela que tenho, a que conheço, aquela que faz de mim mulher, adolescente, criança.
Viajo todos os dias para além da minha imaginação, mas depois, tudo se desfaz quais castelos de algodão que nunca chegam a ser realidade. Não sei mais sequer que realidade é essa, voltou-me costas há muito, e quando pensei que finalmente estava de volta, uma intemperi fez com que novamente levasse para bem longe tudo o que projectei. Não tenho direitos, tenho deveres, para comigo, para com os outros, mas eu, presa em mim, dentro do que nunca fui, luto sempre sozinha, dou sempre tudo o que tenho e o que não tenho, nunca à espera de retorno, porque na verdade, quando achei que finalmente esse retorno viria até mim, afastou-se, não chegou, ficou a meio caminho porque há sempre algo que é mais forte do que eu, e eu, fico sempre para o fim…e quando chega esse fim, já nada sobra para me consolar.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sessenta

Sinto-me só, assim, somente sozinha no meio de todos os que me rodeiam…trocaram-me as voltas, trocaram o certo pelo incerto e desconhecido, não que isso me assuste porque outras batalhas já travei e delas saí vencedora, mas dói quando se sente que o injusto tomou conta do justo, o escuro tomou conta do claro e o amargo conta do doce.

As forças resvalam na ânsia do que não sei, na incerteza do que não conheço e adentro o que não me interessa…não sei lidar com isto, na verdade achei que era tudo muito mais fácil, que tudo era simples mas não é. Fiz-me de forte, coragem de leão, parafraseando alguém que canta estas e outras palavras sentidas e acertadamente sãs, mas isso não chega, não consola, não alimenta. A alma exposta, a nú, como nunca antes, talvez identicamente a uma ou outra ocasião mas nunca com este nível de incongruência…e aos poucos, sentimos o desmoronar do que vamos construindo, desaparece tudo…pode ser um novo ponto de partida, pode ser uma nova meta de chegada, mas na transversalidade do que gostaríamos de realizar, dizemos adeus aos cada vez mais irreais sonhos, aqueles que nos alimentaram a alma e a vida durante tanto tempo. Resignamo-nos sem saída ao que nos dão, ao que tão pouco desprendidamente nos dão, e aceitamos, de cabeça baixa, tentando não vergar perante a adversidade para no final de tudo isto, olhar para o espelho e ver a face de alguém que um dia sonhou o que nunca conseguiu e se conformou com o que nunca quis.

E assim se dissipam todos os fiapos do querer, feitos de algodão doce, aqueles que achamos sempre que mais cedo ou mais tarde se realizam…mas há sempre um dia em que vemos através do tempo, do real, e percebemos claramente que o nosso lugar não é nem nunca foi aquele pelo qual lutámos, aquele que sonhámos…o que nos mantinha o sangue a pulsar com a toda a intensidade…depois disso, depois fica apenas a amargura do que deveria ter sido e simplesmente nunca foi…

sábado, 20 de novembro de 2010

Cinquenta e Nove (parte II)

Fazes-me falta… assim, simplesmente sem mais coisa alguma, apenas falta de ti, das tuas mãos, do teu cheiro, da tua voz a interpelar-me a cada segundo, da tua certeza absoluta das coisas.

Gosto do brilho dos teus olhos quando me olhas fixamente e me deixas completamente despida de argumentos, gosto de ouvir as tuas palavras e saboreá-las qual sumo açucarado de romã, gosto de sentir o rasgar da tua boca quando tocas a minha e me fazes pensar que se o mundo acabasse agora eu estaria feliz. Gosto tanto de ti! Gosto tanto de ti que por vezes só de pensá-lo fico com a nostalgia de querer que nunca acabe, que, apesar da não eternidade deste mundo, eu queria uma eternidade só para mim, só para nós, onde nos continuássemos a olhar e a tocar com toda a vontade com que sempre o fazemos. E guardo em mim o teu riso, a tua expressão de prazer, a melodia da tua voz para que não esqueça nunca o que significas para mim; e se um dia me pedirem que descreva como é, não saberei simplesmente fazê-lo, porque ainda não inventaram as letras, que todas juntas, o possam explicar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Cinquenta e Nove

Passou depressa o tempo...cresceu a vontade de te abraçar, de te tocar com a alma mas também com o corpo. Do fundo da rua vê-se o sorriso que esboço quando te olho com atenção, quando te toco com o olhar que lentamente penetra em ti e que mostra tudo o que me fazes sentir de cada vez que te chegas a mim. Há coisas que não consigo explicar, não obstante o meu pragmatismo, que idealmente julgo conseguir alimentar de todas as vezes que me deparo com a surpresa de algo de que não estava à espera. E as ondas de calor que fazem a roupa colar-se ao meu corpo juntam-se com as folhas secas que evoaçam pelo ar sempre que a brisa da tarde me trás o teu cheiro, o teu riso...

A velocidade não pode simplesmente ser medida em palavras, em afirmações simples, daquelas que nos atordoam os sentidos...pagamos com a língua mais cedo ou mais tarde. Paguei com prazer este preço, com todo o prazer que não posso justificar, porque há coisas que não se justificam. Não são as palavras que nos alimentam o coração nem a alma... Eu, alimento-me de gestos, do toque da tua mão, da tua pele colada à minha, do teu riso colado ao meu, do som da tua voz quando diz que gosta de mim...e daqui até às nuvens é um instante.

Na verdade é tudo tão efémero, tão rápido, tudo se torna passado com tanta rapidez que mais vale agir do que ficar à espera que algo aconteça, ou tão simplesmente ficar a tecer todas e mais algumas considerações sobre o que é e o que não é.
Somos aquilo que somos e mais nada. Vivemos e devemos sempre viver de acordo com o que sentimos, tendo a coragem para enfrentá-lo e assumindo as consequências das atitudes que tomamos. temos que simplesmente aproveitar a vida e todos os momentos que ela nos dá e ser felizes, porque de outra forma nada fez sentido.