segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Trinta e Cinco

Vivo nas sombras, naquelas que o meu corpo provoca, mas também nas que a minha tristeza permite. Deambulo pelos dias que passam, nos que estão para vir e dos quais já nada sobra. Escolho as palavras que digo, as que escrevo e por vezes até as que sinto, porque não é fácil sentir nada...sentir vazio, um nada assustador, que nos consome todos os outros sentimentos. Porque nada é vazio, e eu não sei sentir-me vazia. Nunca me tinha sentido assim, vazia, longe do que me fazia feliz, do que me atormentava, do que me indispunha, do que me tornava fraca e também forte, ao mesmo tempo que me ia transformando.

Nunca falo deste nada, desta solidão que parece crónica, desta insensatez vulgar de sonhar com o que não conheço...e espero, continuo e teimo em esperar por aquilo que me há-de preencher este vazio de que falo. A liberdade é tão vaga, tão insana por vezes, que quando a temos por tempo demasiado, vamos tentando livar-nos dela, aos poucos, como quem espera por uma vida nova, cheia, com planos, com metas, com algo que faça sentido.

Não se deita fora nunca algo que nos faz feliz, mas também não se aceita nunca de volta o que nos entristece e nos faz infeliz...

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