segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Trinta e Oito

Nem sempre vemos com a clareza necessária o óptimo da vida, julgando por vezes, com demasiada precipitação as tonalidades com que pintamos o céu que nos cobre o corpo, e é certo, também a alma. Todas as vezes em que a mente verseia sobre o que nos perturba, também nos mostra caminhos a seguir, outros, diferentes dos temos por exactos, ou dos que nos parecem mais óbvios.

Demoro-me tantas vezes na análise da diferença, na análise do que é essa diferença, mas sobretudo, na análise daquilo que me torna a mim, diferente. Ainda hoje discutia com alguém o que é essa diferença, porque somos, eu e ele, diferentes dos demais...na verdade, somos todos diferentes uns dos outros, mas...há de facto algo que nos torna únicos e especiais não há? Há pequenos pormenores que nos fazem sentir que somos mesmo casos raros de excepcionalidade, e certo é que nos debatemos todos os dias da nossa vida para provar essa mesma excepcionalidade, para mostar ao mundo que temos algo de diferente...mas... e quando não conseguimos? Quando esta mensagem simplesmente não passa e ficamos exactamente com a mesma posição que sempre tivémos: a de igualdade, aquela que nos coloca exactamente no mesmo lugar que todos os outros seres?

Nesta individualidade mundana, óbvia para nós, e às vezes imperceptível para os demais, escoamos todas as nossas tentações, escoamos tudo o que nos lisonjeia de nós para nós, de nós para os outros. Sinto muitas vezes essa lisonja como o escape dos dias difíceis, como o oásis das horas mortas em que me compadeço com a irritabilidade do que é ser invisível aos olhos de outros. Vivo na ânsia do reconhecimento pela diferença, mas esse reconhecimento tarda, tarda nas horas, nos dias, nos momentos em que pareceria óbvio que iria acontecer, por isso, e sem mais derrotas conscientes, aguardo, continuo a aguardar pelo revivalismo que sei irá acontecer num futuro próximo.

Porque acredito ainda no especial entendimento das mentes humanas sei que a diferença sobressai sempre entre as demais trivialidades.

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