terça-feira, 22 de setembro de 2009

Trinta e Nove

Em sonhos banais encontro a frequência daquilo que me fascina todos os dias que acordo e me levanto do leito que sinto por vezes ser maternal. Em toda a solicitude das atitudes insólitas que lembro de por vezes protagonizar, nunca consigo encontrar a verdadeira razão da raíz do medo e da culpa que sinto pela água que não bebi, pelo mar em que não nadei, pelo ar que não respirei.

Em todas estas indecisões nunca escuto o uivo do que me aconchega o coração nas horas em que me sinto perdida, nunca me chegam aos ouvidos as sonoridades doces que certa vez ouvi de ti, em rituais que me enebriaram a alma, o coração, e me fizeram perceber que há nuvens cor de rosa, tal e qual o algodão doce da feira, que se derrete na boca, como os teus beijos um dia se derreteram... Volvidos tantos anos, continuo a recordar essa imagem, com doçura, é verdade, com o carinho de quem amou uma vez, ainda criança, quem um dia lhe mostrou o que era um beijo.

Mas o beijo de outrora não é igual ao de hoje, em nada se parece a não ser na forma. O beijo de hoje não tem emoção, não tem o nervoso miudinho de quem espera ansiosamnete ser tocada de forma inesperada, de quem coloca a mão na mão, com risos abafados e palavras meias ditas, em surdina...na surdina que tu e eu conhecíamos de cor. Agora as sensações são ocas, despojadas de tudo o que antes nos regia, e as emoções são meramente físicas, mecânicas, como sabes...e recostados no sofá de cor indefinida, soltamos alguns risos, uns mais forçados do que outros e dizemos adeus, com palavras curtas, na pouca intimidade emocional que nos liga.

Na verdade, não percebo bem porque é que isto acontece....

Sem comentários: