terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Cinquenta e Um

Gosto de ler as pessoas. Leio-as tão simplesmente quando lhes falo, quando lhes escrevo, quando leio as sua respostas ou tão prontamente as oiço comentar a vida. É nestas leituras que diariamente faço, assim que saio do casulo que me acolhe todos os dias, que descubro as semelhanças de todos os que me rodeiam, os medos, as expectativas, os comportamentos mais ou menos irregulares...os desejos. Não me identifico naturalmente com todos, mas, há coisas e palavras que me entram directamnete na mente para de lá simplesmente nunca mais sairem. Há sorrisos que me derretem o coração, que fazem pulsar o sangue ans veias com mais intensidade, olhares que me despem de sentido, que me acolhem os desejos e me fazem soletrar brandamente os suspiros daquilo que me consola. Fico desnudada em cada canto da sala, do corredor, do bar, da rua, da casa, da soleira da porta que se abre quando tento entrar no teu universo. Fico insana, quando tento pensar nas soluções que gostaria de ter e não tenho, na coragem que ando a ganhar mas que ainda não tive, no passo em frente que quero dar mas que ainda não dei.

Há esferas que me acordam em sobressalto, na ternura dos olhos que se debruçam em minha pele, sem me tocarem, sem me maltratarem como faz a cópia de segurança que existe tua, eclipsada na minha cabeça, e que repete todos os dias que amanhã será o dia. Mas este amanhã nunca chega, e passa um dia, passa outro, um terceiro, e tantos mais que já lhes perdi a conta, e nada acontece, nada se perdeu porque simplesmente nada tive, mas também não se transformou.

Às vezes oiço vozes, oiço as vozes dos outros que me sugerem caminhos, oiço a minha própria voz que faz de anjo e diabo, e me baralha todos os dias. Vivo nesta baralhação constante, alheada de tudo...talvez não, na verdade alheada de nada, que tudo o que quero o sei, mas nem sempre o sinto. Vês, neste momento não te sinto, nem a ti nem a nenhum outro pensamento, não tenho como pescar, tiraram-me toda a linha que tinha, e na verdade, não sei bem em que loja comprar mais, a que uso já não se fabrica. E dos risos saem lágrimas, e das lágrimas sai dor...e nesta dor mundana, não constante mas permanente, soletro todos os dias quando acordo, que o caminho se há-de fazer, que se há-de aprontar para me conhecer e virá ao meu encontro para me puxar de novo para a corrida de que tenho tantas saudades.

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