quarta-feira, 16 de abril de 2008

Doze

Acordei estremunhada e meio de contra vontade, mas assim que pus o pé fora de portas, ai que bem que me soube a fresca da manhã, o chilreio dos pássaros, a brisa suave que me refrescava a face, ai que bem que me soube sair de casa e respirar o ainda não poluído ar.

Deveria mudar esta melancolia matinal que só acorda sobre a tarde e que vê os dias correrem tão depressa que não consegue controlar a tristeza de estar a perde-los. Voltava atrás só para respirar a manhã dos dias que perdi em leito deitada, dormente em sonhos não profundos, ou em vivências idiotas da calma aparente que suporto, acordaria todos os dias para refrescar a mente em passeios demorados pelas fachadas de uma vida que se quer repleta de emoções e de vivências divertidas que ando a perder enquanto durmo, refastelada em ócio idiota e improdutivo.

Falta-me a vontade, falta-me a motivação...mas terei que encontrá-la em mim mesma, nas coisas banais que se podem fazer mal se abrem as cortinas de um quarto por horas adormecido, levantar com energia suficiente para deixar a inércia em que se vive actualmente embrulhada em pensamentos de alturas em que apressadamente se saia de casa para um destino há tempo anunciado...e que bom que era, que saudades tenho desse tempo, que rezo todos os dias para que volte.

E amanhã é sempre um novo dia, é sempre uma nova ameaça, mas sobretudo é sempre um novo desafio que teimo todos os dias em vencer, porque nunca nos podemos fazer valer das fraquezas que a alma nos assola, vale-nos sim o ímpeto de seguir em frente e ir mais além, a cada conquista, a cada vitória e o mundo fica diferente.

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