segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dezanove

Perdi o texto que tinha escrito sob o número dezanove. Naturalmente que não vou conseguir reproduzir o seu conteúdo, e isso, irrita-me profundamente. Sem falsas modéstias, gostaria de dizer, que o que um escritor escreve de forma intuitiva, qundo apagado, esvai-se da sua memória...assim é, e é assim também aqui. Não me consigo recordar das palavras que já fizeram este número. Lembro-me que falei do sol, da areia do deserto, do mar...lembro-me que falava dos sentidos, sim, dos sentidos, da voracidade das palavras, do oblíquo dos sons que nos trespassam a alma e da falta que nos faz tudo isto para alimentar o nosso alter ego, deus maior da nossa própria sabedoria.

Escrevi que gostava de viver o suficiente para poder sentir que tive uma vida cheia, e vazia quando quiz, que senti todas as texturas, que ouvi todos os sons e que saboreei todos os paladares, que disse sempre tudo, e que o que ficou por dizer, não era importante. Que o mundo vai girando sem que nos apercebamos por vezes da imaturidade dos dias que passam por nós. Das vezes em que simplesmente não me apetece abrir os olhos para encarar a rotina que me vai mantendo ainda ssim viva, e que por conseguinte, me sugere permanecer em meu leito mais alguns minutos, horas, dias por vezes, até me vergar perante a necessidade de erguer o meu corpo e dar passos em direcção a algo.

Lembrava que somos todos mais do que aquilo que vemos reflectido em qualquer espelho, que a nossa alma se embrenha em muito mais do que simples palavras, que precisamos sempre das melodias, de todas as que pudermos escutar, de um piano que toca nem que seja ao longe e que nos enebria o coração.

Lembro-me que falei do mundo a girar, deste mundo que partilhamos com outros, e que dele queremos sempre tudo, o máximo, e que na verdade em meu entendimento, nem sempre conseguimos dele o melhor partido tirar. Mas ainda assim, no meio de todo este turbilhão que me acompanha, desta insatisfação permanente que me impede de olhar a direito, ganho a coragem necessária para dizer com toda a vontade de que sou capaz:

Até amanhã!

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