quinta-feira, 28 de maio de 2009

Vinte e Dois

Nada se perde, tudo se transforma. Alguém o disse, e começo a chegar à conclusão que também o podemos sentir, nem só dizer. Hoje é um dia NIM...nim é uma boa palavra, não é não, não é sim, mas é qualquer coisa que descreve como me sinto, assim, vivendo o presente ainda com resquícios de um passado que teima em me consumir. Será que todos são assim? Acho verdadeiramente que não, mas será isto defeito, feitio, ou mal da idade? Da idade não deve ser porque não é assim tão tarde no tempo que justifique sê-lo. Em mim há sempre esta sensaçãozinha estúpida e um tanto ou quanto mórbida de coisas que vivi, e de sensações que senti. Não deve ser saudável este NIM, não deve mesmo ser nada recomendável, mas não o consigo evitar, is completly useless.

A insatisfação de que ontem falei, deve mesmo ser responsável por este novo sentimento idiota, a falta do óbvio também, ainda que eu o deteste, mas pelos vistos não há forma de contornar este elemento que o ser humano intrinsecamente considera para se completar, mesmo tentando não o ter.

Lembro-me recorrentemente da minha mãe contar que quando eu era pequena e ela às compras com o meu pai, eu nunca pedia nada...nunca nada de concreto, dizia apenas: “traz-me uma coisa”. Esta coisa nunca tinha nome, nunca tinha cor, nunca tinha nada, eu queria uma coisa mas não sabia o quê, na verdade acho que gostava da sensação da surpresa...ainda gosto na verdade. É esta mesma sensação de surpresa que continua a perseguir-me, quer dizer, na realidade acho que não me persegue, acho que faz mesmo parte de mim, e por isso, vivo sempre nesta busca incessante de algo que não conheço, relembrando o que me fez muito feliz, por isso o recordo, como alguém disse: “todos os dias da minha vida” e como eu acrescentei “todos e mais alguns que estão para vir”.

Quero esse passado de volta, esse que me faz vibrar de cada vez que o recordo, de cada vez que dele falo, quero voltar à liberdade de ser e fazer, estar longe e ao mesmo tempo tão perto, pelas palavras, pelas imagens, pela vontade de ser o que sou hoje, o que ontem fui e amanhã serei. Sou sempre assim, como me mostro, como me descrevo, como falo. Quero esse mundo, esta solidão que me dava prazer, esta vida cheia de luz e alento que dava a força para continuar, quero esse mundo de volta. À insatisfação que dantes falei, junto esta minha teima em relembrar o que já antes tudo me disse, tanto que o continuo a saborear com todo o prazer do mundo o que vivi nesse tempo, tão longe, tão meu, tão solitariamente meu, que não conseguirei nunca fazer entender o que se passou e passa em mim.

E o futuro passa por...

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