quinta-feira, 27 de março de 2008

Nove

Nem sempre conseguimos explicar tudo o que nos acontece, o que sentimos, o que vivemos ou o que queremos viver. No passado, no presente, no futuro somos todos iguais, animais com vontades e sentimentos que muitas vezes não conseguimos explicar...bem, que explicamos na realidade mas que achamos melhor não o fazer, porque a verdade magoa, dói, por vezes torna-nos tristes...às vezes é assim, na dúvida, vamos em frente, no matter what, porque primeiro estamos nós, o que nos faz feliz, depois os pre conceitos, a moralidade do que é supostamente imoral...vemo-nos depois?

Oito

Em última análise temos os amigos, temos quem nos compreende, ou não...mas que nos aceita tal como nós somos, tal como uma caixa de música que faz, diz e é como quer. O calor da voz de quem torce por nós, de quem nos diz para seguir em frente, para ir à luta sempre que tememos alguns obstáculos que se nos apresentam muitas vezes como intransponíveis. Temos a casa cheia de gente quando precisamos e vazia quando queremos, temos os risos que nos entram porta adentro em tom de brincadeira para nos animar sempre que um olhar triste se apodera de nós. Na verdade, somos aquilo que conseguimos ser ao longo de anos em que regamos as amizades que queremos que nos acompanhem em todos os momentos, sem filtros nem inibições, porque os apertos de mão e os abraços, a festas na face não precisam pedir licença para existir.

Congratulo-me a cada dia que sei que tenho amigos, que tenho que quem me oiça sem nunca pedir nada em troca e me aceita tal como sou, sobretudo para mim isso é o mais importante, sem perguntas nem cobranças. E o mundo gira à minha volta sempre que quero, porque sou feliz por ter que me rodeie, por ter perto de mim, para as ocasiões mais importantes, as pessoas mais importantes do mundo: os meus amigos, aquela família que se escolhe e que se acolhe todos os dias da nossa vida.

domingo, 16 de março de 2008

Sete

As saudades que sinto são fugazes, acontecem de vez em quando, uma vez por outra, quando me demoro em pensamentos que parecem estar longe, de coisas que aconteceram há muito. Na verdade não foi há muito...foi há pouco, há tão pouco. os meus olhos se baralham quando vêem certas imagens a que se habituaram a ser suas durante algum tempo, certas cores, formas, cheiros e sons que parece que entretanto se desvaneceram.

Mas quando se recordam dias, horas, emoções, tudo volta a uma memória tão fresca quanto o cheiro da manhã gélida num dia de Inverno, de um corpo que o casaco quente protege do frio e faz tornar apetecíveis 2o minutos de caminhada. Nesta vida nada é tão certo quanto o prazer que nos provoca o desconhecido, a excitação de pensar em dias diferentes, delirantes por vezes, de segredos que ficam guardados nas memórias, nossas, intrínsecas, de dentro de nós e que jamais qualquer imagem ou fotografia poderá descrever, porque o que guardamos são mesmo isso, sentimentos, são nossos, intransponíveis, irrepetíveis, intransmissíveis, sobretudo intransmissíveis. E o mundo é nosso, onde, quando e com quem quisermos, porque tudo é eternizável, para nós, para os outros...

quarta-feira, 12 de março de 2008

Seis

Há dias em que me perco em pensamentos que não têm a torrência da fala, do sentido, e por isso perco recorrentemente a noção dos dias em que estou, da velocidade a que me desloco, das pessoas que encontro, onde e naturalmente quando. A inércia e o ócio sempre foram conotados como os grandes inimigos da inteligência, da produtividade, da vida clara e indistintamente válida, actualmente salto de dia em dia, com o peso do que ócio me faz, pensando nas tormentas, ou não, que aí se adivinham. A cabeça imagina vários cenários, uns mais dantescos do que outros, mas todos terminam em mim, de ponto de interrogação ao fundo, descolados da essência do meu ser, daquilo que sou, ou do que gostaria de ser.

Há apontamentos que finjo serem meus, outros que o são realmente e se perdem no emaranhado de pensamentos que turvam a minha sana visão da vida. São lapsos de tempo, em que, racionalmente me demoro a analisar o que aqui se passa, como vai a minha vida mundana de 24 horas sobre 24 horas, em que como, durmo, caminho, falo, grito, escuto, cheiro, toco...uso todos os sentidos que me permitem ver o mundo de forma transparente. Não consigo concluir nada, totalmente em branco perante a opacidade do sistema, das vidas que se cruzam em meu redor e que talvez tenham, ou talvez não tenham, as peocupações que recentemente me assolam o juízo.

Talvez haja horas felizes, e talvez um momento de luz incandescente me transmita o brilho que me falta à alma, ao raciocínio que tento não esconder nas nuvens que entrelaçam o céu, com os raios de sol que de vez em quando por ali se espalham, na verdade porque acredito que um destes dias tudo se há-de tornar mais claro, mais evidente, e porque com esta esperança passo o tempo em que sou menos feliz, esboço um sorriso e levanto-me para tomar uma chávena de chá.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Cinco

Os sonhos podem ser tão simples, tão justos por vezes, longe dos interesses materiais que normalmente revestem os sonhos. É o intangível que toma conta das mentes, que expele as vontades escondidas em nós. Há coisas tão simples, que não nos passa nunca pela cabeça a rapidez da sua concretização, e de cada vez que escuto uma ideia neste sentido, me maltrato enquanto homem, pela insensibilidade que me confere a distracção com que vivo todos os dias.

Os valores manterias em que circunscrevemos as nossas acções não nos deixam perceber o quão mesquinhos podemos ser, os valores que perdemos por aí e os sorrisos que deixamos de ver, as lágrimas que deixam de cair, as de felicidade, claro, que das outras nunca temos saudade.

E é tão simples, tão simples que quando alguém tem essa ideia, na qual poderíamos nós ter pensado enquanto seres humanos preocupados e atentos para com o que nos rodeia, mas que nunca nos lembrámos, porque o egoísmo com que vivemos não nos permite, quase que nos nos sentimos a desfalecer de descontentamento. Ainda bem que estes egoísmos perdoam certas pessoas, para que desinteressadamente, acredito, se permitirem à dádiva que é fazer alguém feliz. Porque pelos outros também é importante interessar-nos, porque nos outros também reside a esperança de voltarmos um dia à lividez de nos reencontramos com a alma que queremos sempre limpa dos pecados e dos distúrbios que o mundo nos aplica.

Sem sinónimos de culpa, por vezes, outras que tais, com a vontade de apertar bem forte o espaço que permanece entre nós e os outros, emersos no vazio que nos constrange o pensamento, porque a alma se deve aquecer com os bons sentimentos, não apenas com o calor dos bons actos, pelo dinheiro irrisório da boa vontade e do altruísmo que nos faz pensar no próximo que vive perto de nós, longe, por muito e por pouco tempo, ou apenas no imaginário de quem sabe que o somos todos responsáveis uns pelos outros, assim é o conceito de família.

domingo, 2 de março de 2008

Quatro

Lentos são os dias que passam, de sol quente, de brisa fresca, perturbação natural de um tempo fora de tempo, que nos embala todas as horas que concluirmos serem as nossas, as naturais e as necessárias, até se resolverem os problemas dos minutos que queríamos ter e não temos.

Rápidos são os lamentos que nossa boca solta, que nossos olhos mostram de cada vez que bate a luz através dos cortinados de papel que enfeitam as janelas reflectidas na memória que trazemos junto ao coração.

Breves são sempre as notas que deixamos de guardar em nossos bolsos, símbolo de aventuras deixadas para trás, longe dos tempos mudos de idades perturbadas e conturbadas, dos demais sonhos inacabados que pelas nossa mente antes sã, passaram.