Os sonhos podem ser tão simples, tão justos por vezes, longe dos interesses materiais que normalmente revestem os sonhos. É o intangível que toma conta das mentes, que expele as vontades escondidas em nós. Há coisas tão simples, que não nos passa nunca pela cabeça a rapidez da sua concretização, e de cada vez que escuto uma ideia neste sentido, me maltrato enquanto homem, pela insensibilidade que me confere a distracção com que vivo todos os dias.
Os valores manterias em que circunscrevemos as nossas acções não nos deixam perceber o quão mesquinhos podemos ser, os valores que perdemos por aí e os sorrisos que deixamos de ver, as lágrimas que deixam de cair, as de felicidade, claro, que das outras nunca temos saudade.
E é tão simples, tão simples que quando alguém tem essa ideia, na qual poderíamos nós ter pensado enquanto seres humanos preocupados e atentos para com o que nos rodeia, mas que nunca nos lembrámos, porque o egoísmo com que vivemos não nos permite, quase que nos nos sentimos a desfalecer de descontentamento. Ainda bem que estes egoísmos perdoam certas pessoas, para que desinteressadamente, acredito, se permitirem à dádiva que é fazer alguém feliz. Porque pelos outros também é importante interessar-nos, porque nos outros também reside a esperança de voltarmos um dia à lividez de nos reencontramos com a alma que queremos sempre limpa dos pecados e dos distúrbios que o mundo nos aplica.
Sem sinónimos de culpa, por vezes, outras que tais, com a vontade de apertar bem forte o espaço que permanece entre nós e os outros, emersos no vazio que nos constrange o pensamento, porque a alma se deve aquecer com os bons sentimentos, não apenas com o calor dos bons actos, pelo dinheiro irrisório da boa vontade e do altruísmo que nos faz pensar no próximo que vive perto de nós, longe, por muito e por pouco tempo, ou apenas no imaginário de quem sabe que o somos todos responsáveis uns pelos outros, assim é o conceito de família.
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