domingo, 28 de junho de 2009

Vinte e Nove

Este é o momento...é o momento em que todas as convenções fazem na verdade algum sentido, aquele que nunca antes fizeram. Inexplicavelmente sinto isso mesmo. Não me tenho demorado muito a pensar no assunto, mas quando me surge diante dos olhos em toda a sua acepção não posso deixar de imaginar o que o amanhã me reservou, esse amanhã que na verdade não voltou a chegar.
E o meu mundo fica, assim, no suspenso que eu mesma criei, à espera que o invisível aos olhos se torne no alimmento do coração.

E desta verdade de que falo, ainda nada ouvi contar...por isso ansiosamente a aguardo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Vinte e Oito

Vinte e oito foi o tempo que me fez voltar à realidade...a um quase reencantamento pelo que já conhecia. Agora, não mais tenho essa sensação, perdi o afecto àquilo que me parecia mágico. De desencantamento me apetece falar, gritar pelo também descontentamento que sinto com tudo o que me rodeia neste tempo que me perturba e me torna triste. Aos objectivos que sempre tive, àqueles que nunca virei costas e que sempre me guiaram, pareço nada dizer, não por tê-los esquecido mas porque se esconderam...talvez esteja na hora de procurá-los, de novamente me colocar à prova como tantas vezes fiz. E o mundo gira e torna a girar, nas voltas do antes e nos desabafos do agora, na teimosia de perseguir algo para o qual destino não encontro, segredo não sei...e sinto, sinto tudo, assim, de uma forma qualquer, neste tempo, no seguinte, nas palavras e nas letras que hoje escrevo e nas melodias que lembro, que canto em sons miúdos, daquelas quase inaudíveis... E tantas gargalhadas dei, há anos, há tempos atrás , com planos para o depois, planos que contavam contigo, planos que se fizeram reais, outros que nunca soube como seriam...

E esta falta de objectivo teima em me consumir, como a chama do lume brando consome a madeira, como a água torna solto o lamaçal do leito deste rio, a que chamo vida e que me escorre por entre os dedos, sem me explicar muito bem como. Não vivo esta vida como antes vivi a outra, aquela que foi embora e que não volta, aquela que não tinha explicações para dar e que por si só se explicava..não volto a ver de forma límpida o ar que alimenta o coração, não volto a ver a areia branca da praia que acolhe os meus pés...
Na verdade só me apetece mudar de país , de nome, de mundo...

E desta mudança nada sei, por isso espero....

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Vinte e Sete

Nas horas vagas que passam por mim, penso em várias coisas...como será o dia de amahã, às vezes como foi o de ontem...não raras vezes como foi o de hoje, que depois passa a ser ontem...e em todos os sons que escuto penso em como seria bom ouvir o canto dos pássaros que sobrevoam a minha memória, o coaxar das rãs que se escondem entre os nenúfares da enseada que imagino em minhas ténues lembranças. Nem sempre se escolhe, também nem sempre se sente...às vezes há um vazio em que tudo sobra e em que as cores não brilham, há uma mágica que nos seduz sem alinhamento na partitura dos acordes que nos vedam o querer.

Na distância dos saberes, tudo se mantém inalterado, tudo continua a gravitar em torno do inalterável...gostava que de vez em quando se remexesse nas coisas, nada em particular, nas coisas em geral, para secundarizarmos o menos relevante e enumerarmos sim com atitude ,tudo o que efectivamente importa E assim se escrevem muitas palavras umas com mais nexo do que outras, mas como nada mais me ocorre....ocorre-me sonhar, sim, apetece-me sonhar, mesmo que acordada, com as flores que imagino um dia colocar em meu jardim...

E os sonhos continuam a acontecer, sem mais nada...

sábado, 13 de junho de 2009

Vinte e Seis

Acordei tarde, não muito tarde para quem se deitou cedo pela manhã. Num misto de sensações estendi o meu corpo tentando descansar. A fadiga desta vez não me massacrou, pelo contrário, acho que nem chegou a aparecer. Gente, risos, choros, gritos, palavras que se perderam numa noite inglória, ou talvez com uma glória pequena, escondida, daquelas que apenas se sentem não se vêm nem se tocam. Na verdade, apenas serviu para alimentar o ego, aquele que por vezes fica esquecido no meio de tantas outras coisas que se lhe sobrepõem. Enfim, breves palavras para dizer apenas que já era hora de começar a despertar o som da quimera que quero e preciso que surja depressa, com a mesma pressa com que corro descalsa na areia da praia em tardes mornas de Verão.

Assim te espero...por hora, continuo a caminhar em frente...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Vinte e Cinco

E sim, continuo a sentir saudade do tempo entre tempos, do ano entre anos, da vida entre vidas que passei longe e que não me sai nunca do pensamento, que me suga a energia que tenho nos momentos em que realmente anseio sair novamente...para onde não sei, mas sair e ver e sentir e viver....
Vejo as fotografias que documentam esse tempo e não consigo ficar indiferente, não consigo nunca permanecer imóvel e com o pensamento que foram momentos do passado, que não voltam. Na verdade não encontro partilha desta sensação, mas sinto-a de peito aberto, sinto-o, a querer repeti-lo todos os dias da minha vida. Antes de saber como era, o desejo estava oculto, agora que sei, anseio o próximo momento de êxodo sem o qual não consigo viver. E nesta esperança permaneço, na saudade do que foi e no que há-de voltar a ser, sem contenção. Não deve demorar, na realidade não pode demorar, porque a sobrevivência da sanidade que acalento disto se alimenta.

Na insanidade que vivo, espero pela mudança que urge em se tornar realidade.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Vinte e Quatro

As pessoas são engraçadas na sua forma de sentir, de ser, de se tornarem em mais do que aquilo que são em cada momento que vivem. Descobrem-se coisas extraordinárias, assim, num ápice, quando menos se espera, quando menos se sente, quando tudo parece certo e de repente se torna incerto. Na vida nada se tem por garantido, nem as pessoas que nos rodeiam, nem as coisas que possuímos, nem os sons que ouvimos, nem os lugares que conhecemos. E assim, num abrir e fechar de olhos tudo muda, e fazemos, sem perceber como, as pazes com algo que sempre nos contornou enquanto ser, esse algo que sempre nos disse muito e que agora pouco ou nada, com aquela sensação que nunca conseguimos explicar mas que agora se torna completamente transparente.

Finalmente temos aquela sensação de alívio, de let it go como nunca antes tinha acontecido, e uma paz interior sem ressentimentos nos enche o peito de ar límpido.
Inacreditável para alguém que julgaria nunca mais se livrar de sensações estranhas e completamente extemporâneas. E o nosso suspiro é agora de satisfação, de “passo em frente”, para uma nova liberdade, não em todo o sentido da palavra, mais no sentido da própria libertação do ser. O ser humano tem coisas inacreditáveis. E agora tenho a paz de espírito para prosseguir, sem as voltas opacas de antes, sem as incertezas e medos do dia de amanhã. A sensação é boa, é reconfortante e sem culpas, sem a culpa de não ter sido, de não ter feito, sem a culpa de não ter seguido aquele caminho, sem a vontade de insistir mais num ponto sem retorno.
O luto fez-se!

E assim adormeci sorrindo, de olhos no amanhã e esperando por...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vinte e Três

Viajei vezes sem conta em todo o universo que conheço, na verdade, até no universo que não conheço, aquele que nunca vi mas que sempre imaginei existir. Estes sonhos não se explicam, sentem-se. Na verdade sentem-se por pessoas assim, que sempre querem algo mais do que o que têm ou do que realmente conhecem...assim sou eu. Não gosto de estar parada, sempre com as emoções à flor da pele, para o bem e para o mal, para o leve e para o pesado, para o alegre e para o triste, nunca para o drama porém...não gosto de dramas, pelo menos, não de os viver na primeira pessoa, depressa me livro das situações embaraçosas e limpo os pensamentos, o corpo e alma para depois seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Há recaídas, é verdade, aqui e ali, hoje e amanhã, com lágrimas por vezes, coração apertado, mas há que passar à frente, lutar um pouco mais com o nosso próprio ser e partir para outra volta.

Poderia dizer mil e uma coisas de todo o meu vocabulário aprendido e ainda do que gosto de inventar, mas não me apetece. Agora não me apetece. O que quero é saber o que está para além da cortina de fumo que me atrapalha os sentidos. Não consigo perceber. Dizem ser o tempo para pensar, para reflectir, reviver a individualidade, que na verdade nunca deixei de ter. Está bem! Estou a vivê-la ao máximo e depois? Depois o que há? Sou livre e estou livre para ser, para estar, para cantar, dançar...viver. Todos os dias vivi esses momentos de liberdade com toda a emoção que sei, toda a que sempre tive e que sempre quis partilhar. E ao longe quem vem? Quem está? Tudo e todos que sempre estiveram ou que foram chegando aos poucos, que simplesmente ficaram do ontem para o hoje, que esperam pelo amanhã.

Se calhar ainda é cedo...se calhar ainda falta tempo para mais, para mais coisas, para mais tempo, para mais vida. Se calhar ainda é preciso ter mais tempo para o MEU tempo, para tudo.

Se calhar ainda não é amanhã que...