terça-feira, 2 de junho de 2009

Vinte e Quatro

As pessoas são engraçadas na sua forma de sentir, de ser, de se tornarem em mais do que aquilo que são em cada momento que vivem. Descobrem-se coisas extraordinárias, assim, num ápice, quando menos se espera, quando menos se sente, quando tudo parece certo e de repente se torna incerto. Na vida nada se tem por garantido, nem as pessoas que nos rodeiam, nem as coisas que possuímos, nem os sons que ouvimos, nem os lugares que conhecemos. E assim, num abrir e fechar de olhos tudo muda, e fazemos, sem perceber como, as pazes com algo que sempre nos contornou enquanto ser, esse algo que sempre nos disse muito e que agora pouco ou nada, com aquela sensação que nunca conseguimos explicar mas que agora se torna completamente transparente.

Finalmente temos aquela sensação de alívio, de let it go como nunca antes tinha acontecido, e uma paz interior sem ressentimentos nos enche o peito de ar límpido.
Inacreditável para alguém que julgaria nunca mais se livrar de sensações estranhas e completamente extemporâneas. E o nosso suspiro é agora de satisfação, de “passo em frente”, para uma nova liberdade, não em todo o sentido da palavra, mais no sentido da própria libertação do ser. O ser humano tem coisas inacreditáveis. E agora tenho a paz de espírito para prosseguir, sem as voltas opacas de antes, sem as incertezas e medos do dia de amanhã. A sensação é boa, é reconfortante e sem culpas, sem a culpa de não ter sido, de não ter feito, sem a culpa de não ter seguido aquele caminho, sem a vontade de insistir mais num ponto sem retorno.
O luto fez-se!

E assim adormeci sorrindo, de olhos no amanhã e esperando por...

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