domingo, 15 de novembro de 2009

Quarenta e Seis

Vi-te assim, de perto, como se estivesses colado a mim, à minha vontade de te tocar, primeiro com as mãos, depois com todo o corpo, por fim com a alma. Na verdade tudo passa sempre depressa ou devagar demais. A nossa vontade é sempre mais veloz, ultrapassa a nossa capacidade de compreensão, ultrapassa o inteligível, abala a nossa confiança por vezes. No início achamos que sim, que é isso mesmo que queremos, com o passar do tempo, quando barreiras que julgamos intranponíveis se nos apresentam no caminho, somos abalados pela vontade de desistir, porque se calhar não vale a pena, porque não vamos conseguir, porque simplesmente não somos capazes ou porque aquilo que queremos não nos está destinado. E sofremos, voltamos ao princípio de um fim anunciado, aquele que nos consome com toda a veleidade, o que nos escorre nas veias da solidão, no sentido do ser, do querer ser, do julgar ser, sempre e só o que nos completa.

Dançamos, rodopiamos sobre nós mesmos, aos tombos, às cambalhotas, com força, com fraqueza , com vontade de chorar e gritar para o mundo ouvir a falta que nos faz a luz que incessantemente buscamos. Ouvimos sempre com atenção o que nos dizem, sentimos sempre tudo na imensidão de um olhar que achamos que é para nós, aquele olhar que nos despe a roupa, a alma e o coração; que nos tira do sério, e nos faz tremer as mãos, as pernas, que nos enerva e nos faz desejar de repente que as luzes se apaguem, e que as mãos se toquem, os lábios se colem e os corpos se abracem em tudo o que eu queria que nos unisse.

"Porque quando me agrarras pelo cabelo e me beijas com sofreguidão, apenas consigo sentir o teu mundo entrar no meu. Adoro que as tuas mãos percorram o meu corpo, com a mesma velocidade com que te salto para o colo e te acaricio o rosto. E neste bambolear de gestos, quando me encostas com violência contra a perede, suspiro de prazer pelos momentos mágicos que aconteceram, nestes instantes que a minha mente sonhou"

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