segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Quarenta e Quatro

Estou cansada dos jogos que se repetem, estes jogos cujos peões são sempre os mesmos, e e são também as mesmas as acções. Percorremos vezes sem conta o mesmo tabuleiro, nas voltas que já conhecemos, nos suspiros que já demos...na verdade não há nada para descobrir, não há nada de novo que nos entusiasmar neste encontro ainda que esporádico. Para mim pelo menos já não vale a pena, são páginas passadas de um livro que não quero voltar a abrir, na verdade, de um livro que agora fecho e o qual sei, nunca mais vou querer ler. Já conheço a história, já conheço todos os pontos e vírgulas, sei de cor os parágrafos, já fiz todas as interpretações de entrelinhas possíveis, já decorei as principais passagens, os diálogos, as narrações...todos os tempos verbais e ainda os adjectivos, na verdade, sei esta história de trás para a frente, e não mais me interessa vivê-la nem por breves momentos, nem horas, nem dias. Todas as coisas têm um fim, e este jogo termina aqui, agora, tão tardiamente posso dizê-lo, mas termina. termina porque eu quero, porque não mais faz sentido, porque a minha pele simplesmente já não quer...

Passa sempre tanto tempo para que se tomem decisões, aquelas que mudam o rumo das nossas vidas, para o bem ou para o chamado "menos bem". Podia passar menos tempo, podiam estas decisões ser mais imediatas não podiam? É uma parvoíce este demorar, esta contemplação, esta introspecção ridicula que nos faz agonizar e repartir por todos os dias que demora a acabar, sinais de demência, de loucura, tantas vezes injustificada! Estou a caminhar para lá. aos poucos, na verdade, estou a lutar contra aquilo que sei ser a minha essência, mas não posso continuar a permitir que esta essência não seja senão o que me faz feliz, e logo eu que adoro e prezo a rapidez de resposta, o devaneio permanente, a insanidade de ser, estar e agir, a loucura e viver intensamente sem comos nem porquês, sem dias seguintes, porque os momentos valem por si mesmos, valem o que valem, onde e quando acontecem, depois, depois tudo é passado, não volta e não se remedeia nunca o que se pode fazer e simplesmente não se fez.

Jogarei apenas os jogos cujos segredos não conheço, e apenas me degladiarei pela vitória daquele que me der o nome no pódio...

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