domingo, 29 de novembro de 2009

Quarenta e Oito

Longa se torna a espera...longa e aborrecida. Aborrecida porque tudo anda muito devagar, e os ímpetos que me assolam de torná-la mais rápida simplesmente não se concretizam, não porque não tenha oportunidade, simplesmente porque não tenho coragem. Os gestos tornam-se lentos e as acções mais ainda. Apenas respondo pelas que se fazem rápidas e irreflectidas e que na verdade nem sei a que vontade correspondem. A destreza prometida fugiu, desapareceu simplesmente e não sei sequer onde ir procurá-la. Sinto que nada nesta altura se torna um poema escrito pela vontade, nada se torna a prosa intermitente que gostaria de ler, por vezes, quando me sinto assim, acuada, sem jeito nem maneiras, à mercê das palavras que simplesmente soltas vão compondo o corpo do que agora escrevo, sou invadida pelo não ser, o não existir, o não querer...

Navego com ansiedade em águas, ainda que calmas, uma tormenta para o meu sentido de orientação, que cada dia que passa se torna mais turvo, que teima em não se aclarar, nem mesmo com as luzes que tão natalíciamente teimam em perseguir. É a época dos desejos...os meus estão bem guardados, enviados para o céu, envoltos em pedaços de vontade, com as cores que inventei. O embrulho não era muito elegante, na verdade, um pouco tosco, mas o que lá ia dentro era simplesmente puro...tão puro que por vezes me pergunto se valerá a pena sequer tentar a minha sorte e pedir que se torne verdade.

Não sinto a boa estrela perto de mim, não a sinto percorrer-me a alma como sei que um dia fez, mas pelo menos, posso tentar que venha cá abaixo ver-me, que venha seguir-me ou tão simplesmente guiar os meus passos ou desbravar apenas um pouco do caminho que devo percorrer... ou será que já mo mostrou, e eu apenas não o quero escolher? Escolhi um, aquele que me pareceu mais tudo, mas na verdade, as indicações de dele têm vindo não são muito felizes, na verdade, nem se trata de serem ou não felizes, trata-se de simplesmente existirem....ou não...

Norte, Sul, Este, Oeste...ou simplesmente o centro?

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