quinta-feira, 19 de junho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
Quinze
E corpos disformes e gritos de crianças e pessoas que se unem umas às outras para partilhar coisas, momentos, outras pessoas, penetram em meus olhos contentes por verem, perturbados por tudo o que gostariam de observar de si para si. e com esperanças e mentiras que se entremeiam com dissimulações vãs. Agora não me apetece dizer mais nada, fico-me por aqui. amanhã não sei, mas com certeza voltarei...
domingo, 18 de maio de 2008
Catorze
Gostava de não me ter enganado e ter seguido os meus instintos. Aprendi a lição. os nossos instintos são realmente importantes e significativos e nunca, nunca nos devemos esquecer disso, porque por vezes, dessa lucidez depende a forma como vivemos e a felicidade ou não que nos completa enquanto seres humanos que povoamos um mundo que teimamos em querer melhorar.
O adeus nem sempre é até logo.
Treze
O esquecimento cai na memória trôpega que sobrevive no cérebro que alimentamos todos os dias com resquícios de sentimentos, de coisas visuais que nos complementam o ser. Todos os dias de nossa vida julgamos os outros e nos julgamos a nós, umas vezes por cânones correctos, outras simplesmente com os parâmetros que queremos que sejam os correctos. Não temos caminho traçado...talvez devêssemos ter, acordar com o destino o caminho que gostaríamos de percorrer despreocupadamente e sem pensar no amanhã que se segue com as demais preocupações da vida mundana que acompanhamos diariamente.
Naturalmente dependentes uns dos outros, soltamos de cada vez um suspiro diferente, e olhamos as palmas das mãos seguindo as suas linhas à espera de conseguir perceber onde começam e acabam as nossas expectativas. As linhas estão marcadas à nascença, como a nossa sorte? Ou tão simplesmente a pudemos mudar tal qual mudamos o rumo do que escolhemos para nós assumidamente como bom, positivo, valorável? Não façamos perguntas estranhas, nem tentemos adivinhar o fim anunciado do que quer que seja, soltemos um bocejo que nos adormece até ao dia seguinte que esperamos, com certeza, ser melhor do que os outros e na vida sã que queremos levar, o entendemos como o melhor que temos de nós para nós, e que isso é mesmo a coisa mais importante do mundo.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Doze
Deveria mudar esta melancolia matinal que só acorda sobre a tarde e que vê os dias correrem tão depressa que não consegue controlar a tristeza de estar a perde-los. Voltava atrás só para respirar a manhã dos dias que perdi em leito deitada, dormente em sonhos não profundos, ou em vivências idiotas da calma aparente que suporto, acordaria todos os dias para refrescar a mente em passeios demorados pelas fachadas de uma vida que se quer repleta de emoções e de vivências divertidas que ando a perder enquanto durmo, refastelada em ócio idiota e improdutivo.
Falta-me a vontade, falta-me a motivação...mas terei que encontrá-la em mim mesma, nas coisas banais que se podem fazer mal se abrem as cortinas de um quarto por horas adormecido, levantar com energia suficiente para deixar a inércia em que se vive actualmente embrulhada em pensamentos de alturas em que apressadamente se saia de casa para um destino há tempo anunciado...e que bom que era, que saudades tenho desse tempo, que rezo todos os dias para que volte.
E amanhã é sempre um novo dia, é sempre uma nova ameaça, mas sobretudo é sempre um novo desafio que teimo todos os dias em vencer, porque nunca nos podemos fazer valer das fraquezas que a alma nos assola, vale-nos sim o ímpeto de seguir em frente e ir mais além, a cada conquista, a cada vitória e o mundo fica diferente.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Onze
Neste momento é isso mesmo que sinto, momentos bons a percorrerem-me os pensamentos, mas dor sentida no fundo do coração que sabe não poder ser sentido real, porque vivo sempre de migalhas de sorte e que apenas de forma esporádica se atravessa na minha frente. e é por essa razão que vivo sozinha, presa a mim mesma, longe dos recados externos que um dia desejei serem meus mas nunca consegui que fossem. Todas as pressões eu mesma as sinto de cada dia que passo nesta solidão imensa que me ataca o peito e que apenas com migalhas consigo minimizar. Não entendo esta razão, não entendo porque raio tudo acontece nesta idiota situação de impotência promiscua, cuja razão não reconheço existir. Não posso nem devo, nem suportarei viver de migalhas dadas por quem um dia me amou e que eu mesma um dia amei também com tanta intensidade como se o mundo acabasse nesse mesmo dia.
Na verdade é mesmo isso que sinto, a minha alma esventrada por algo que um dia foi meu complemento, que um dia foi totalmente meu e que por razão nenhuma deixou de ser.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Dez
Na vida real não podemos submeter-nos ao que todos julgam correcto, não podemos submeter-nos a regimes ditatoriais eloquentes de sentimentos que seriam mesquinhos, não fossem eles debruados a amor, paixão e desejo. Estes sentimentos sobram nas carteiras dos pedintes de rua, que querem um olhar só para si, sem cobranças nem mentiras e frases inacabadas, incertezas escondidas por palavras mal escolhidas para dizer, nas ocasiões mais estranhas.
Que estranho, por vezes o nosso caminho, as vibrações que sentimos em corpo inerte, ou quente de vida. Tão estranha esta sensação de procura incessante, de sentido de oportunidade que nada tem que ver com o politicamente correcto e desejável. Minto, sim, minto, minto por pudor da verdade, por pudor dos julgamentos inadequados de quem não conhece o que sinto nem o que gostaria de viver, porém, nesta mentira me afogo, sempre que passo a barreira do acertado, do que eu própria racionalmente confesso ser acertado.
Sem certezas nenhumas a cada passo que dou, desacertado com o ritmo em que se quer viver a vida extrema de emoções que não se conseguem nunca explicar, nem aos outros, nem a nós mesmos, em atitudes que são irreflectidas...por capricho, por saudade, por solidão, por desejo...são momentos que não podem nunca ser apontados me calendário algum, nem em agenda diária, porque não são planeados nem acertados. Vivemos na incumbência geral de fazer e ser o que todos querem que sejamos, independentemente de nossa vontade, porque tudo é suposto ser socialmente correcto...e depois vem o arrependimento do que se não fez, do que se deveria ter feito, e finalmente do que se fez e nunca deveria ter acontecido, porque não podemos levar uma vida inteira na ilusão de que os nossos passos são correctos, quando na verdade o não são.
E perco-me nestes momentos ilusórios de realidade obscena que eu mesma crio para mim, que me alimentam outros momentos, esses reais de vida solitária e de barcos perdidos em tempestade no mar.
Sem rumo me sinto, sem barca no mar estou, por vezes sem norte, mesmo assim a remar contra a maré que não deixa nunca de me atirar contra a corrente.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Nove
Oito
Congratulo-me a cada dia que sei que tenho amigos, que tenho que quem me oiça sem nunca pedir nada em troca e me aceita tal como sou, sobretudo para mim isso é o mais importante, sem perguntas nem cobranças. E o mundo gira à minha volta sempre que quero, porque sou feliz por ter que me rodeie, por ter perto de mim, para as ocasiões mais importantes, as pessoas mais importantes do mundo: os meus amigos, aquela família que se escolhe e que se acolhe todos os dias da nossa vida.
domingo, 16 de março de 2008
Sete
Mas quando se recordam dias, horas, emoções, tudo volta a uma memória tão fresca quanto o cheiro da manhã gélida num dia de Inverno, de um corpo que o casaco quente protege do frio e faz tornar apetecíveis 2o minutos de caminhada. Nesta vida nada é tão certo quanto o prazer que nos provoca o desconhecido, a excitação de pensar em dias diferentes, delirantes por vezes, de segredos que ficam guardados nas memórias, nossas, intrínsecas, de dentro de nós e que jamais qualquer imagem ou fotografia poderá descrever, porque o que guardamos são mesmo isso, sentimentos, são nossos, intransponíveis, irrepetíveis, intransmissíveis, sobretudo intransmissíveis. E o mundo é nosso, onde, quando e com quem quisermos, porque tudo é eternizável, para nós, para os outros...
quarta-feira, 12 de março de 2008
Seis
Há apontamentos que finjo serem meus, outros que o são realmente e se perdem no emaranhado de pensamentos que turvam a minha sana visão da vida. São lapsos de tempo, em que, racionalmente me demoro a analisar o que aqui se passa, como vai a minha vida mundana de 24 horas sobre 24 horas, em que como, durmo, caminho, falo, grito, escuto, cheiro, toco...uso todos os sentidos que me permitem ver o mundo de forma transparente. Não consigo concluir nada, totalmente em branco perante a opacidade do sistema, das vidas que se cruzam em meu redor e que talvez tenham, ou talvez não tenham, as peocupações que recentemente me assolam o juízo.
Talvez haja horas felizes, e talvez um momento de luz incandescente me transmita o brilho que me falta à alma, ao raciocínio que tento não esconder nas nuvens que entrelaçam o céu, com os raios de sol que de vez em quando por ali se espalham, na verdade porque acredito que um destes dias tudo se há-de tornar mais claro, mais evidente, e porque com esta esperança passo o tempo em que sou menos feliz, esboço um sorriso e levanto-me para tomar uma chávena de chá.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Cinco
Os sonhos podem ser tão simples, tão justos por vezes, longe dos interesses materiais que normalmente revestem os sonhos. É o intangível que toma conta das mentes, que expele as vontades escondidas em nós. Há coisas tão simples, que não nos passa nunca pela cabeça a rapidez da sua concretização, e de cada vez que escuto uma ideia neste sentido, me maltrato enquanto homem, pela insensibilidade que me confere a distracção com que vivo todos os dias.
domingo, 2 de março de 2008
Quatro
Rápidos são os lamentos que nossa boca solta, que nossos olhos mostram de cada vez que bate a luz através dos cortinados de papel que enfeitam as janelas reflectidas na memória que trazemos junto ao coração.
Breves são sempre as notas que deixamos de guardar em nossos bolsos, símbolo de aventuras deixadas para trás, longe dos tempos mudos de idades perturbadas e conturbadas, dos demais sonhos inacabados que pelas nossa mente antes sã, passaram.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Três
Quanto custa a nossa felicidade? A infelicidade alheia? O pudor daquilo que não se vê mas que intimamente se sente? O despudor de fazer aquilo que não se deve mas que nos torna seres humanos completos e felizes? As perguntas que fazemos repetidamente até encontramos uma resposta que minimamente nos convença, veste pelo caminho a armadura da defesa, das armas com que nos defendemos dos outros, dos que não compreendem o que se passa em cada alma, em cada vírgula que compõe o rendilhado de palavras que formam a nossa vida e escrevem a nossa história.
A nossa história...gostaria de reescrever alguns dos pontos que compõem a minha história, não por demagogia, não por arrependimento, apenas para traçar um caminho diferente e desenhar outros caminhos que antes não me permiti percorrer, por medo, por receio, por insegurança, por todas as razões e mais algumas que possam justificar o facto do presente não ser como um futuro que imaginei colorido, em tons de amarelo e laranja.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Dois
Nos gestos antes enternecedores de alguém que nos premeia pelo bom comportamento das fábulas imaginárias que outrora compusemos ao som de sustenidos desconexos, sentimos pulsar nas mãos o dom da palavra inacabada, das chamas que a pouco consomem madeira que crepita numa lareira que deixou há muito de existir. A tosse, convulsa, avulsa a intemperi de sentimentos que sempre partilhámos, na doutrina do que é envelhecer conjuntamente com os pensamentos que nunca dantes conhecemos, vê-se nos gestos mais simples e na capacidade mais abrupta. Se contasse o que sei, ou tão simplesmente o que julguei um dia saber, decerto me arrependeria, pela mancha deixada no papel abandonado por mim, num caderno de linhas tortas, algures por aí. Se desse ao vento e à sorte as palavras com que descrevo esta sensação da mais pura loucura, enterraria o meu passado complexo na cripta do nunca, onde jamais pudesse voltar a entrar, nem para ver, nem para sentir, do que me quero para sempre separar.
Um
Nem sempre os ventos correm de forma a poderem ajudar o barco que navega livre no mar a bom porto chegar. Os raios de sol que doiram os cabelos de quem passa aquece a alma e coração das palavras que por bocas anónimas saem.
A tarefa mais complexa é descomplexadamente penetrar num mundo inantingível e inaudível até datas desconhecidas. O óbvio nem sempre é o melhor, o mais interessante, porque por vezes o rebuscado se compadece mais com as necessidades prementes do ser humano. Nem sempre as mentes estão despertas para o sopro da novidade dos sons da natureza. Em última análise, concreta e abstracta, todos buscamos a paz interior, baseada no que conhecemos e no que não conhecemos. Buscamos algum sentido no que dizem as cartas que nos ficam na caixa do correio, nos panfletos que encontramos nos vidros, sujos e baços, da frente de carros largados ao acaso pelos passeios da cidade que sempre testemunha os passos que damos.