quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Quarenta e Nove

Às vezes vem o silêncio que toma de assalto a mente dos mortais. Às vezes vem a loucura que nos toma os pensamentos, que nos faz mudar de mundo, nem que seja por breves instantes aqueles que são apenas e só, nossos, aqueles que simplesmente não compartilhamos com mais ninguém. Nesta insanidade vão e voltam as ideias que recorrentemente julgamos perdidas, aquelas que temos dificuldade em encontrar. Pensamos nelas soltas no turbilhão de vontades que sentimos todos os dias em que abrimos os olhos, ao acordar, ou simplesmente quando saímos da dormência em que, por vezes, nos encontramos.

Com veemência, sugamos toda a energia que nos rodeia, a que emanamos nós mesmos, mas também a que nos é enviada, umas vezes com amor, outras apenas com desprezo, daqueles que nos amam, dos que nos detestam, daqueles a quem simplesmente incomodamos ou dos que não sentem nada por nós. E é nesta roda viva de energias cruzadas que te encontrei, no encontro e desencontro das emoções que as canções que me cantas me fazem sentir, assim, louca, livre, fiel a ti, somente a ti, que me embalas com a tua mão, quando me tocas no ombro, ou passas o teu braço pela minha cintura, como se me sentisses em ti, tão junto a ti, que quase podíamos ser só um.

E na tormenta deste pensamento, conto os dias e as horas do mundo, para voltar a encontrar os teus olhos, no cruzamento das energias em planos verticalmente isolados, ou horizontalmente cruzados, conto os tempos do relógio, não de forma obsessiva, simplesmente com o desejo de que o teu olhar cruze o meu na intensidade daquilo que sinto quando te penso e sinto entrar na minha alma... pode não resultar, pode até simplesmente não acontecer, mas era tão importante que neste tubo de ensaio se criasse o elixir de qualquer coisa tão simples como o existir por momentos, a criação momentânea, instântanea, fugaz mas forte, forte o suficiente para tatuar a lua que sempre nos olha de cima com ar de aprovação.

Agora que o ciclo se quebrou por fim, que dele já nada resta e me sinto completamente livre para dar o passo seguinte, aquele que se dá em frente, na perseguição do que ainda não tivémos como nosso, mas que sei chegará, é o momento certo para tudo o que aqui dito neste pedaço de tempo se concretize com a simplicidade com que o escrevo.

Chegarás a tempo?

domingo, 29 de novembro de 2009

Quarenta e Oito

Longa se torna a espera...longa e aborrecida. Aborrecida porque tudo anda muito devagar, e os ímpetos que me assolam de torná-la mais rápida simplesmente não se concretizam, não porque não tenha oportunidade, simplesmente porque não tenho coragem. Os gestos tornam-se lentos e as acções mais ainda. Apenas respondo pelas que se fazem rápidas e irreflectidas e que na verdade nem sei a que vontade correspondem. A destreza prometida fugiu, desapareceu simplesmente e não sei sequer onde ir procurá-la. Sinto que nada nesta altura se torna um poema escrito pela vontade, nada se torna a prosa intermitente que gostaria de ler, por vezes, quando me sinto assim, acuada, sem jeito nem maneiras, à mercê das palavras que simplesmente soltas vão compondo o corpo do que agora escrevo, sou invadida pelo não ser, o não existir, o não querer...

Navego com ansiedade em águas, ainda que calmas, uma tormenta para o meu sentido de orientação, que cada dia que passa se torna mais turvo, que teima em não se aclarar, nem mesmo com as luzes que tão natalíciamente teimam em perseguir. É a época dos desejos...os meus estão bem guardados, enviados para o céu, envoltos em pedaços de vontade, com as cores que inventei. O embrulho não era muito elegante, na verdade, um pouco tosco, mas o que lá ia dentro era simplesmente puro...tão puro que por vezes me pergunto se valerá a pena sequer tentar a minha sorte e pedir que se torne verdade.

Não sinto a boa estrela perto de mim, não a sinto percorrer-me a alma como sei que um dia fez, mas pelo menos, posso tentar que venha cá abaixo ver-me, que venha seguir-me ou tão simplesmente guiar os meus passos ou desbravar apenas um pouco do caminho que devo percorrer... ou será que já mo mostrou, e eu apenas não o quero escolher? Escolhi um, aquele que me pareceu mais tudo, mas na verdade, as indicações de dele têm vindo não são muito felizes, na verdade, nem se trata de serem ou não felizes, trata-se de simplesmente existirem....ou não...

Norte, Sul, Este, Oeste...ou simplesmente o centro?

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Quarenta e Sete

São os votos de que mais uma caminhada se torne longa. Que se torne clara a luz que me guia por entre a penumbra da estrada. Nas curvas, não se alcança o lugar, não se vê quem vem lá, mais à frente no caminho, apenas se distingue a sombra de algo, que a passo lento se movimenta em nossa direcção. E assim, nesta imensidão a nú, me desencontro finalmente do óbvio, do que me perseguia por tempo indefinido, e do qual não váimos o fim. Findou finalmente na mente, no coração, mas sobretudo, findou na pele, aquele lugar onde sempre se mantinha preso à espera nem sei de quê. Já não tinha sentido, não havia lógica nenhuma na sua existência, não havia pingo de sobriedade na razão de ser...e então, depois de levianamente me ter permitido agarrar esta sensação que me parecia real e sobretudo, que me parecia necessária, larguei-a, conscientemente a larguei, para finalmente me permitir ser livre do ciclo que tão infinitamente me parecia inesgotável.

Novo ciclo pode agora começar, feitas as apresentações, podem os novos actores entrar para representar esta peça que se quer mágica, com guiao redigido a preceito, com falas estudadas e contracenas especiais. os ensaios começam agora, sem mais demoras ou delongas, e ansiosamente espero pelos primeiros minutos de rodagem...

domingo, 15 de novembro de 2009

Quarenta e Seis

Vi-te assim, de perto, como se estivesses colado a mim, à minha vontade de te tocar, primeiro com as mãos, depois com todo o corpo, por fim com a alma. Na verdade tudo passa sempre depressa ou devagar demais. A nossa vontade é sempre mais veloz, ultrapassa a nossa capacidade de compreensão, ultrapassa o inteligível, abala a nossa confiança por vezes. No início achamos que sim, que é isso mesmo que queremos, com o passar do tempo, quando barreiras que julgamos intranponíveis se nos apresentam no caminho, somos abalados pela vontade de desistir, porque se calhar não vale a pena, porque não vamos conseguir, porque simplesmente não somos capazes ou porque aquilo que queremos não nos está destinado. E sofremos, voltamos ao princípio de um fim anunciado, aquele que nos consome com toda a veleidade, o que nos escorre nas veias da solidão, no sentido do ser, do querer ser, do julgar ser, sempre e só o que nos completa.

Dançamos, rodopiamos sobre nós mesmos, aos tombos, às cambalhotas, com força, com fraqueza , com vontade de chorar e gritar para o mundo ouvir a falta que nos faz a luz que incessantemente buscamos. Ouvimos sempre com atenção o que nos dizem, sentimos sempre tudo na imensidão de um olhar que achamos que é para nós, aquele olhar que nos despe a roupa, a alma e o coração; que nos tira do sério, e nos faz tremer as mãos, as pernas, que nos enerva e nos faz desejar de repente que as luzes se apaguem, e que as mãos se toquem, os lábios se colem e os corpos se abracem em tudo o que eu queria que nos unisse.

"Porque quando me agrarras pelo cabelo e me beijas com sofreguidão, apenas consigo sentir o teu mundo entrar no meu. Adoro que as tuas mãos percorram o meu corpo, com a mesma velocidade com que te salto para o colo e te acaricio o rosto. E neste bambolear de gestos, quando me encostas com violência contra a perede, suspiro de prazer pelos momentos mágicos que aconteceram, nestes instantes que a minha mente sonhou"

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Quarenta e Cinco

É quase como se tivesse novamente 15 anos...sensação estranha esta que me persegue por estes dias. Ainda me lembro bem de como esta sensação me consumia os minutos que tinha livres para gastar com questões que nem por isso eram assim tão relevantes. Agora é igual! É como se fosse um desejo mascarado de vício, um pudor qualquer que me torna tímida e descarada ao mesmo tempo, a explicação é a mesma do que há 15 anos atrás...estou no ponto de retorno a uma adolescência parva, em que os comportamentos nos tornam mais fortes, mais ágeis mas nem por isso mais inteligentes. Somos, isso sim, eternas cobaias dos nossos sentimentos, e esses não escolhem propriamente idades para nos atormentarem o juízo, tenhamos 15 ou 30 anos, andámos, andamos e andaremos sempre a reboque destas reacções químicas que se exercem no nosso cérebro, e que irracionalmente, na maioria da vezes, nos faz delirar por coisa nenhuma.

Somos estranhos, seres inacabados, construídos a partir de matéria insólita e por vezes inócua, compostos por partes que nunca vemos e por outras de que raramente ouvimos falar. Somos físico e somos alma, coisa estranha que apenas sentimos existir, mas que nos rege a vida, os amores e desamores, a entrega e a fuga, do que gostamos e do que odiamos, do que queremos e de tudo o que sempre rejeitámos. Somos assim, uma mistura de tudo o que é matéria e o que o não é.

Os sons confundem-nos por vezes, tornam-nos absortos na realidade que em momentos específicos é a que queremos viver, a única que concebemos como certa, como verdadeira. Foi assim com esta verdade que trago escondida, esta verdade que me faz tremer as mãos, que me faz acelerar o bater do coração e desperta em mim todos aqueles sentimentos antitésicos que nem sempre me recordo ter...são estes os sons que me guiam nesta encosta que me permito escalar em tanto tempo, nesta aventura que me permito ter, com sonhos que há muito esqueci...há muito tempo que este abismo não se colocava à minha frente, há tanto, que na verdade nem lembro bem como fazer para ultrapassá-lo...porém, todas as dúvidas se desvanecem quando me olho no espelho e ao fim de tantos anos vejo a figura em que me tornei...dos 15 aos 30, veloz no pensamento, veloz na força, quase perfeita na forma. Não falo de narcisimos idiotas nem de auto-estimas extemporâneas, falo do que sinto de mim para comigo, daquilo que sou e do sei que valho, daquilo que sou capaz e daquilo que a vida me tem ensinado a ser.

Na lembrança do que nunca fui, sinto-me agora como quero sempre ser, assim, como agora sei que sou...e tenho o mundo a meus pés, hoje, amanhã, sempre...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Quarenta e Quatro

Estou cansada dos jogos que se repetem, estes jogos cujos peões são sempre os mesmos, e e são também as mesmas as acções. Percorremos vezes sem conta o mesmo tabuleiro, nas voltas que já conhecemos, nos suspiros que já demos...na verdade não há nada para descobrir, não há nada de novo que nos entusiasmar neste encontro ainda que esporádico. Para mim pelo menos já não vale a pena, são páginas passadas de um livro que não quero voltar a abrir, na verdade, de um livro que agora fecho e o qual sei, nunca mais vou querer ler. Já conheço a história, já conheço todos os pontos e vírgulas, sei de cor os parágrafos, já fiz todas as interpretações de entrelinhas possíveis, já decorei as principais passagens, os diálogos, as narrações...todos os tempos verbais e ainda os adjectivos, na verdade, sei esta história de trás para a frente, e não mais me interessa vivê-la nem por breves momentos, nem horas, nem dias. Todas as coisas têm um fim, e este jogo termina aqui, agora, tão tardiamente posso dizê-lo, mas termina. termina porque eu quero, porque não mais faz sentido, porque a minha pele simplesmente já não quer...

Passa sempre tanto tempo para que se tomem decisões, aquelas que mudam o rumo das nossas vidas, para o bem ou para o chamado "menos bem". Podia passar menos tempo, podiam estas decisões ser mais imediatas não podiam? É uma parvoíce este demorar, esta contemplação, esta introspecção ridicula que nos faz agonizar e repartir por todos os dias que demora a acabar, sinais de demência, de loucura, tantas vezes injustificada! Estou a caminhar para lá. aos poucos, na verdade, estou a lutar contra aquilo que sei ser a minha essência, mas não posso continuar a permitir que esta essência não seja senão o que me faz feliz, e logo eu que adoro e prezo a rapidez de resposta, o devaneio permanente, a insanidade de ser, estar e agir, a loucura e viver intensamente sem comos nem porquês, sem dias seguintes, porque os momentos valem por si mesmos, valem o que valem, onde e quando acontecem, depois, depois tudo é passado, não volta e não se remedeia nunca o que se pode fazer e simplesmente não se fez.

Jogarei apenas os jogos cujos segredos não conheço, e apenas me degladiarei pela vitória daquele que me der o nome no pódio...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Quarenta e Três

Cedemos por vezes apenas e só ao ímpeto do momento, sem demorados pensamentos e delongas sobre o que devemos ou não fazer, sobre o que é e o que não é permitido, muitas vezes agindo tão simplesmente pela irracionalidade que também nos caracteriza enquanto seres humanos mutáveis! Outras vezes agimos de forma programada, mas também estes actos nos podem deixar felizes, assim, tão simplesmente felizes... Somos na forma, o resultado da nossa essência, e esta essência joga-se no tabuleiro da vida com todas as peças que vamos colecionando, com tudo o que dela faz parte...os sonhos também. São sonhos o que nos alimenta a alma, são sonhos as particulas que nos entram pela memória adentro, que nos tomam o corpo, tão insanamente por vezes, que nos fortalecem o desejo e culminam outras tantas com gestos oblíquos de insensatez perversa.

Não nos culpemos nunca pelo que nos faz felizes ainda que momentaneamente, não nos culpemos nunca por tudo aquilo que mal fadamente nos atormenta depois,; na verdade, muito pior seria atormentar-nos apenas e só a ideia de algo que podia ter sido e nunca foi. Não nos arrependamos nunca do que não fizemos, apenas do contrário, porque assim temos sempre a certeza que tudo foi uma opção, boa ou má não interessa, vivemos! E é para viver que estamos cá, uma vezes sós, outras acompanhados, pela temperança, pela modéstia, pelo medo mas também pela coragem de ser e de fazer, de sentir e de sorrir, mesmo quando apenas lágrimas temos para expressar

Um hino à vida, à sensação de estar, de ser e de receber, de nós e dos outros as sensações do que temos vivido, às barreiras que temos encontrado e que tão corajosamente enfrentámos com valentia e coragem. Na vida apenas há um sentido, o de continuar a caminhar em frente, sem olhar para trás, porque no dia em que cedemos a esta tentação, retrocedemos cem passos, reavaliamos o que não tem reavaliação possível, porque nunca os momentos se repetem, nunca as sensações são as mesmas, nunca um momento vale o mesmo duas vezes. Somos infinitamente maiores do que tudo isto!

Os sons, os cheiros, as emoções que não voltam mas que nos apertam o coração de todas as vezes que nos invadem, todas as imagens que guardamos para sempre na memória, e todas as outras que nem sempre lembramos, mas que sabemos lá estarem, são o alimento do nosso ser, são a força que nos faz continuar este caminho e ter a certeza que pertencemos sempre a algo, a algum lugar, onde tudo se encontra, e onde a nossa raíz sempre se alimenta.

Vivo num lugar encantado, onde todas as maravilhas do mundo se somam à certeza que o ser feliz é muito mais do que uma imagem desfocada que por vezes a minha mente foca...

domingo, 11 de outubro de 2009

Quarenta e dois

Na catarse daquilo que nos transforma ou tão simplesmente daquilo que nos faz assumir o nosso Eu, enquanto Ego sunt, relembra que é muito bom estar vivo, rir, dançar, mergulhar de cabeça nas emoções de sentir, de ser.

Deixar o corpo vibrar ao som do que nos faz verdadeiramente felizes, sem medos nem pudores, entregar-se ao ritmo sensual dos sons que nos enebriam a alma, mas sobretudo o coração, vivendo cada momento com a intensidade que merece, entre olhares fortes, directos, entre mãos que se tocam e por breves momentos se unem, em segundos fugazes, ou em demorados minutos. E aquela sensação que nos percorre o corpo e nos enche de vontade de não parar, contenta-nos por algumas horas, faz-nos sobretudo acelerar a respiração e pedir para que dure um pouco mais. A pele macia que acaricio com carinho e que me desperta a vontade de a sentir encostada à minha, tal e qual como as nossas mãos estiveram, sem pudores nem preconceitos...sem perguntas. E ao ritmo do som que ambos escutamos, os nossos corpos se encaixam e rodopiam com a lentidão que o momento exige, e sinto-me simplesmente a flutuar nos braços fortes que me seguram como se eu fosse quebrar a qualquer momento, e quando encosto o meu rosto ao seu peito ou quando o olho intensamente nos olhos, parece que ambos gostaríamos de dizer algo mais, que simplesmente não se diz porque a timidez do momento o não permitiu...

Agrada-me esta insanidade descontrolada, a mesma que me faz querer desvirtuar a complexo do conservadorismo que eu odeio...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Quarenta e Um

Hoje sinto-me assim, a levitar por entre as nuvens de um céu cinzento que exala em toda a sua força as gotas de água, pérfida mas também perfumada. Na penumbra em que me deito todas as noites sinto sempre uma pequena luz, ao longe, ao fundo de tudo, e sempre penso quando é que esse pequeno fio de luz se transformará em clarão, o clarão que guiará a minha vida pelos caminhos certos...os que me farão apenas só, feliz...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quarenta

Nas sombras que entoam os meus medos, encontro sem grande regularidade os raios de luz que me conduzem. primeiro devagar, pé ante pé, como se caminhasse em direcção ao precipício, depois um pouco mais depressa, como o vento que sopra e remexe sem parar os nossos cabelos e os desalinha inequívocamente. Por fim, com esta caminhada quase concluída, viajo em pensamentos até à terra do nunca, à minha terra do nunca...sento-me na escada suspensa em nuvens que aleatoriamente se colocam sobre a minha cabeça e sinto todos os meus pensamentos se transformarem em coágulo que me decepa as ideias risonhas, ou como algures ouvi cantar, os orgasmos risonhos da vida.

A música mostra-nos na sua quietude ou nos seus soluços mais fortes, o prazer da companhia de alguém, alguém que nos mostra como as letras mais expressivas combinadas com as melodias mais belas, nos fazem sentir definitivamente enebriados pela constelação de notas perpendiculares que nos enternecem a alma e nos confundem o olhar, como se o mundo acabasse amanhã e não tivessemos tempo para mais nada.

E neste vai e vém de ideias que poisam em meus pensamentos em mui nobre apresentação, desfaço as bolas de sabão que vejo pairar no ar, cheia de cores qual arco-íris, e solto um grito esquivo, simplesmente para aliviar a vontade louca que tenho de partir, ainda que sem rumo nem destino definido.

Indefinidamente à espera, por agora apenas trago a almofada de vento e cobertor de suspiros para pernoitar neste espaço que simplesmente não me apetece partilhar...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Trinta e Nove

Em sonhos banais encontro a frequência daquilo que me fascina todos os dias que acordo e me levanto do leito que sinto por vezes ser maternal. Em toda a solicitude das atitudes insólitas que lembro de por vezes protagonizar, nunca consigo encontrar a verdadeira razão da raíz do medo e da culpa que sinto pela água que não bebi, pelo mar em que não nadei, pelo ar que não respirei.

Em todas estas indecisões nunca escuto o uivo do que me aconchega o coração nas horas em que me sinto perdida, nunca me chegam aos ouvidos as sonoridades doces que certa vez ouvi de ti, em rituais que me enebriaram a alma, o coração, e me fizeram perceber que há nuvens cor de rosa, tal e qual o algodão doce da feira, que se derrete na boca, como os teus beijos um dia se derreteram... Volvidos tantos anos, continuo a recordar essa imagem, com doçura, é verdade, com o carinho de quem amou uma vez, ainda criança, quem um dia lhe mostrou o que era um beijo.

Mas o beijo de outrora não é igual ao de hoje, em nada se parece a não ser na forma. O beijo de hoje não tem emoção, não tem o nervoso miudinho de quem espera ansiosamnete ser tocada de forma inesperada, de quem coloca a mão na mão, com risos abafados e palavras meias ditas, em surdina...na surdina que tu e eu conhecíamos de cor. Agora as sensações são ocas, despojadas de tudo o que antes nos regia, e as emoções são meramente físicas, mecânicas, como sabes...e recostados no sofá de cor indefinida, soltamos alguns risos, uns mais forçados do que outros e dizemos adeus, com palavras curtas, na pouca intimidade emocional que nos liga.

Na verdade, não percebo bem porque é que isto acontece....

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Trinta e Oito

Nem sempre vemos com a clareza necessária o óptimo da vida, julgando por vezes, com demasiada precipitação as tonalidades com que pintamos o céu que nos cobre o corpo, e é certo, também a alma. Todas as vezes em que a mente verseia sobre o que nos perturba, também nos mostra caminhos a seguir, outros, diferentes dos temos por exactos, ou dos que nos parecem mais óbvios.

Demoro-me tantas vezes na análise da diferença, na análise do que é essa diferença, mas sobretudo, na análise daquilo que me torna a mim, diferente. Ainda hoje discutia com alguém o que é essa diferença, porque somos, eu e ele, diferentes dos demais...na verdade, somos todos diferentes uns dos outros, mas...há de facto algo que nos torna únicos e especiais não há? Há pequenos pormenores que nos fazem sentir que somos mesmo casos raros de excepcionalidade, e certo é que nos debatemos todos os dias da nossa vida para provar essa mesma excepcionalidade, para mostar ao mundo que temos algo de diferente...mas... e quando não conseguimos? Quando esta mensagem simplesmente não passa e ficamos exactamente com a mesma posição que sempre tivémos: a de igualdade, aquela que nos coloca exactamente no mesmo lugar que todos os outros seres?

Nesta individualidade mundana, óbvia para nós, e às vezes imperceptível para os demais, escoamos todas as nossas tentações, escoamos tudo o que nos lisonjeia de nós para nós, de nós para os outros. Sinto muitas vezes essa lisonja como o escape dos dias difíceis, como o oásis das horas mortas em que me compadeço com a irritabilidade do que é ser invisível aos olhos de outros. Vivo na ânsia do reconhecimento pela diferença, mas esse reconhecimento tarda, tarda nas horas, nos dias, nos momentos em que pareceria óbvio que iria acontecer, por isso, e sem mais derrotas conscientes, aguardo, continuo a aguardar pelo revivalismo que sei irá acontecer num futuro próximo.

Porque acredito ainda no especial entendimento das mentes humanas sei que a diferença sobressai sempre entre as demais trivialidades.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Trinta e Sete

Vou aprendendo a dizer Não, na verdade vou aprendendo a sentir esse não. Acho que quem não o sente enquanto seu, tem um árduo trabalho em aceitá-lo, em pronunciá-lo...primeiro porque não sente de facto e depois porque simplesmente não o sabe usar. Porque parece mal, porque nos permite ter momentos de egoísmo, esse egoísmo que nem sempre nos permitimos ter, porque nos afasta dos outros e das situações que simplesmente nada nos dizem. Estou aprendendo a dizer Não, todos os dias em que recuso algo, em que repito essa palavra para dentro de mim, como se designasse um lema a seguir...e às vezes é tão bom, sabe tão bem sentir essa negação da vontade, a negação do querer, a negação do momento social que simplesmente não apetece. Digo aprendendo porque é mesmo isso, hoje um bocado, amanhã mais um pouco; hoje uma experiência, amanhã outra, e assim vou construindo este caminho atabalhoado de nãos, em que mostro aos outros que eu tanbém tenho vontades de não fazer, de não falar, de não dizer...e que isso não é mau, que isso também faz parte de nós, que não temos sempre que ser a tábua de salvação de outros, e que por vezes este Não, é apenas e só a nossa própria tábua de salvação, aquela que nos liberta do cansaço de dizer o que não se quer e de também sentir o que nada nos diz.

Para mim sempre foi dificil, estou porém a trabalhar nisso, a moldar a minha personalidade para poder dizer Não. Sempre aceitei esta postura dos demais, muitas vezes sem questionar, mas sempre exigi de mim um comportamento muito diferente. Sempre pensei que nunca devia dizer Não, que deveria sempre fazer o melhor e dar o melhor de mim para que esse não simplesmente passase despercebido, mas descobri que me sufocava esta exigência, que eu posso e devo fazer apenas e só o que quero, o que me faz feliz, o que me deixa contente, pondo assim de lado o que simplesmente não me apetece, e que por isso não vem mal ao mundo, que os outros têm que compreender que eu sou tão feita de carne e osso como eles, e que também tenho vontades e sonhos e tudo o que os outros têm. E que no fundo também eu preciso de respirar o ar que me rodeia, nesta imensidão de partículas átonas que me ferem por vezes a vista e me atordoam a alma. E na gestão tão minimalista de palavras, entre um sim e um não, baseio a minha vida e a minha esperança de encontrar sempre o que me fará trocar um Não por um Sim, um Sim consciente e feliz, daqueles que nos rasga o coração de alegria e nos faz sentir a pessoa mais importante do mundo, que nos suga a energia do corpo mas também a da alma e nos dá o paraíso em troca de uma simples palavra: SIM!

Porque o Não e o Sim devem sempre ser usados com toda a verdade e consciência, luto todos os dias para fazer o bom uso das palavras que determinam aquilo que na verdade sou...hoje e sempre!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Trinta e Seis

Percorro as linhas do teu sorriso com a ânsia de te beijar, de tocar-te na face como há tanto tempo me apetece fazer...pegar-te na mão como se fosse a primeira vez que nos encontramos, assim, perdidos em conversas banais, sobre tudo e sobre nada, sobre o trivial das nossas vidas, das vidas dos outros, das nossas vontades, das vontades dos outros...

Na verdade não sei como dizer-te isto que sinto, ou que pareço sentir, assim, do nada, apenas porque sinto. Não há intenções estranhas, não há diálogos incómodos, não há insinuações extemporâneas, daquelas que parecem não ter sentido, nem hoje nem nunca. Não, há na verdade explicação para um algo que não sei explicar, que não é o que conheço, que não é de todo o que sempre vivi.
Não é forte, é ameno, com resistências, com incertezas, com tudo o que desconheço e na verdade não domino. Não sei como agir, não sei sequer se quero agir, se tu queres essa acção... Mas não te vejo estender-me a mão que quero agarrar, não te sinto a mostrar-me a face que gostaria de tocar, muito menos te sinto com vontade de ceder ao beijo que gostaria de te dar.

Não vejo o mundo como branco e preto, vejo-o enquanto cinzento, naquela cor obscura que tudo mostra e nada revela, que nos coloca na dúvida do que queremos, do que somos, do que fomos, do que vivemos, do que queremos...nos coloca na dúvida sobre o caminho a seguir, sobre o que não fazer e o que querer....e é nestas alturas que penso que para a sorte não há palavras a dizer, há designios que não obedecem a explicações lógicas e reais, que não se contentam com a simplicidade de um sim e a brusquidão de um não... não sei construir mais do que isto, mais do que o bulício dos meus sentimentos em turbilhão, às voltas na minha cabeça, entorpecidos pelo que não sei, pelo que me perturba mas não devia, pelo que me dá alento e ao mesmo tempo me coloca toda a dúvida...
Não sei fazer melhor, nem pior, só sei fazer assim, só sei sentir assim, umas vezes intensamente outras mais devagar...sei sentir sem vontade, sei sentir com desejo, com vergonha, com a sensação de que estou completamente errada, com a certeza de que estou certa...sei sentir isto tudo ao mesmo tempo, e de cada vez que tento sair deste turbilhão de emoções com esperança e certeza não consigo, vou-me abaixo com a mesma força com que um dia me reergui de tudo o que me sufocava a vontade de viver.

E depois vêm as perguntas, as incertezas, vêm as crises de existência, aquelas que só sentimos quando na verdade temos consciência do que somos, mas sobretudo daquilo que poderíamos ser...ou ter sido...e sem respostas a estas perguntas vamos passando as etapas da prova que todos os dias se nos coloca à frente sempre que abrimos os olhos e vemos o nosso unchanged world a tomar conta de nós, dos nossos sonhos, das nossas vontades...e se vai instalando como a única realidade que conhecemos.

Paguei sempre o preço da minha bondade, um preço sempre mais alto do que na verdade podia pagar enão conigo ainda ver o retorno desse pagamento...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Trinta e Cinco

Vivo nas sombras, naquelas que o meu corpo provoca, mas também nas que a minha tristeza permite. Deambulo pelos dias que passam, nos que estão para vir e dos quais já nada sobra. Escolho as palavras que digo, as que escrevo e por vezes até as que sinto, porque não é fácil sentir nada...sentir vazio, um nada assustador, que nos consome todos os outros sentimentos. Porque nada é vazio, e eu não sei sentir-me vazia. Nunca me tinha sentido assim, vazia, longe do que me fazia feliz, do que me atormentava, do que me indispunha, do que me tornava fraca e também forte, ao mesmo tempo que me ia transformando.

Nunca falo deste nada, desta solidão que parece crónica, desta insensatez vulgar de sonhar com o que não conheço...e espero, continuo e teimo em esperar por aquilo que me há-de preencher este vazio de que falo. A liberdade é tão vaga, tão insana por vezes, que quando a temos por tempo demasiado, vamos tentando livar-nos dela, aos poucos, como quem espera por uma vida nova, cheia, com planos, com metas, com algo que faça sentido.

Não se deita fora nunca algo que nos faz feliz, mas também não se aceita nunca de volta o que nos entristece e nos faz infeliz...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Trinta e Quatro

We also care about The Dream, or shall I say, the dreams? Always concerned about how tomorrow is going to be, how today was, nevertheless, we always want to know how things will be in the future and it doesn't need to be a very far away future, it can be the future of next month, of next year... We make plans, daily plans, weekly plans, but most of the times nothing seems to work, nothing seems to became true. And we keep on trying, every day trying to reach our goals, to proceed as we believe we have to proceed and sometimes, it's just so difficult to accept how things don't work, how delayed our dreams are , our hopes, our lifetime, the lifetime that will take us to the clouds and make us feels as a master of the world, our world, the one that we keep on building every waking our, every waking day....

And I'll be this Master, I'll be it...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Trinta e Três

Há várias formas de sermos felizes, talvez tantas quantos os sentimentos que temos, os que partilhamos, os que escondemos, ou tão simplesmente aqueles que vamos descobrindo cada dia que passa no calendário da caminhada que fazemos em direcção ao amanhã. Há músicas que me apertam o coração, que me fazem lembrar que a minha vida já foi tão diferente daquilo que hoje é...que dela faziam parte pessoas que hoje já não fazem, que sorri e chorei no ombro de quem agora não está, que abracei quem não mais voltei a encontrar, que ziguezagueiei por entre os sonhos que um dia partilhados com quem agora está em parte incerta.

Há momentos que não conseguimos esquecer, emoções que nos controlam o ar que respiramos, que nos aceleram o fluxo sanguíneo, qual acelerador de um motor potente e que nos conduz a vida e os dias que nela existem da forma mais rápida ou mais lenta com que na verdade enfrentamos todos os momentos da nossa história.

Há tanta coisa que nos diz tanto e tanta tão pouco...e a lágrima que cai quando penso que já tive tudo, a plenitude que agora não encontro, não posso evitar, não consigo evitar o desejo da eloquência que é ser feliz, assim sem mais nada, tão simplesmente feliz, na entrega total, na entrega parcial, na entrega simplesmente...

E sim a solidão é má, a solidão é aquilo que tenho de sobra em todos os dias que passam e não rio com o prazer que já me fez sorrir e não parar, é má todos os momentos em que invejo os sentimentos que já senti e não sinto mais, é má sempre que não alcanço tudo aquilo a que me proponho, é má no desespero que às vezes me apanha desprevenida e me dobra o orgulho que já senti e que agora não sinto...

Vinga o sorriso que em mim reside permanentemente, aquele que me completa em todos os momentos que a minha alma entristece com o medo da frustração, com o medo que me persegue pela demora dos dias realmente felizes que um dia já soube como eram.
Sobram os momentos de alienação, aqueles em que descomprometidamente faço o que me apetece ignorando friamente as suas consequências, porque apenas assim vislumbro a felicidade, que para já apenas existe de forma aparente.

Espero que esta aparência se transforme em verdade...hoje, agora...sempre.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Trinta e Dois

Dias volvidos após o descanso do guerreiro, fervilha a minha mente de ideias, umas antigas, outras mais recentes...todas elas as que me entorpecem o sorriso, umas porque não vejo o seu fim, outras porque espero simplesmente o seu começo. E nesta balada suave que me guia por entre as incoerências dos meus dias, imagino quais cenas Shakspearinas, as minhas próprias vivências, umas mais tristres, outras menos...sobretudo imagino as que simplesmente ainda não tive tempo nem oportunidade de viver.

Momentos houve em que pensei não voltar, que simplesmente me deixaria ficar por ali, em sítio incerto, desconhecido, no meio de gente que nunca vi e partilhando esse mesmo desconhecimento e sulcando a passo, o caminho que gostaria de seguir. Não tive tempo, na verdade, não tive coragem, ainda não tive coragem. Este sentimento de que falo, a coragem, nem sempre aparece na nossa vida nos momentos mais oportunos, outras há, em que teima em aparecer, e quando vem, que se aproveite, que se use, que se sinta, sempre com a mesma intensidade com que sentimos o frio, o calor, a dor...o amor! Quando não a aproveitamos ela foge, desaparece, vai embora, e quando a chamamos, quando infindavelmente a chamamos, ela esconde-se em tempo e sítio incerto, deixando-nos perdidos, à procura de rumo...com todas aquelas ideias que temos, as que queremos e as que simplemente desejamos que desapareçam.

Nas viagens que faço, em todas, as reais e as imaginárias, procuro sempre pela coragem, aquela que me vai ajudar a sair do labirinto em que tantas vezes me encontro...e na que agora terminei, percebi que na verdade, os labirintos somos nós que os inventamos, e também somos nós que nos colocamos neles, em ataques esquizofrénicos de super protecção e medo, quando na verdade, o que queremos mesmo é voar, voar, voar na ecleticidade que nos completa, naquela que criamos para nos diferenciarmos dos outros e que com mais ou menos sucesso nos distingue dos demais.

E é bonita esta diferença, esta particularidade por vezes quase obscena de tão real que é! O nunca idílio de sermos eternamente únicos e verdadeiros connosco e com os outros, na certeza porém, da crítica esperada, deseperada, de quem nunca entende ou vai entender a particularidade da essência de cada um, acompanha-me, todos os dias da minha existência!

Porque a diferença é sem dúvida o meu lema, diferentemente me sinto a cada passo que dou na direcção ao desconhecido...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Trinta e Um

Refrescos (em 26-10-2008)

Vejo as gaivotas sobrevoarem a maré,

Vejo o sopro do vento ondular meus cabelos,

Agitar a penumbra do medo,

Vejo o mar envolto em tormenta,

Desalinhar as minhas palavras,

Torturar os sentidos que me perturbam.

Olho e sinto o frio do ar que respiro,

Da nuvem que por mim chora na sua acidez natura,

Aniquilando todas as formas do meu ser.

Secretamente escuto o meu grito,

Os meus gritos,

Todas as palavras que aprendi a dizer,

E que repetidamente soletro de cada vez que falo.

Junto as mãos e rezo pelo amanhã,

Pelo futuro que não conheço,

E pelo que não sei.

Na verdade não me interessa esse futuro,

Mais longe todas as marés vão e vêm,

Soltam a espuma branca qual gaivota em terra,

Deambulando pela areia escura da praia, deixando suas pegadas,

Como nós deixamos sempre que nos fazemos ouvir.

Acalmo os meus ímpetos,

Na solidão que me rodeia,

Acalmo a minha forma de estar neste emaranhado de histórias,

Nesta estupidez aparente que ruma sem parar.

Julgo o sol porque aparece,

Julgo a noite porque chega mais cedo,

Julgo-me a mim porque existo

E não consigo existir como quero.

Sinto sempre a frustração do ser que sou

Que não é nada daquilo que sonhei ser

Tenho medo da frustração,

Tenho esse medo todos os dias em que não consigo,

Em que sei que não consegui, mesmo assim luto,

Umas vezes em vão...outras nem tanto.

Mas o mar azul, sobrevoado por gaivotas felizes,

De ondas rebeldes que espumam a areia branca e fina,

Esse mar teima em tardar...em não querer me molhar os pés,

Em me refrescar, o corpo, e sobretudo a alma.


...porque hoje me sinto assim, sem rumo...


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Trinta

Às vezes gostava que viesses de mansinho falar comigo, assim sem pensar, sem querer, sem esperar...falar só por falar, como antes, como nunca, como sempre....
Na verdade nunca falámos, nunca estivémos juntos, nunca nada aconteceu, mas mesmo assim não deixo de pensar que poderíamos ter tido esta conversa, ou outra qualquer...eu poderia ter pegado na tua mão, ter-te dado um beijo, um conselho...eu podia ter-te simplesmente conhecido. Ma snão conheci, nunca soube quem eras, do que gostavas, o que querias ser, o que foste, em que pensaste durante todo este tempo em que me fugiste da mente, do coração, da alma, da vida.
Eu podia ter julgado que o mar era azul, assim como o céu que todos os dias me cobre, podia ter pensado que a terra era quente assim como a areia da praia que gosto de pisar quando me passeio nela...

Quando chegares estarei à tua espera...sabes onde estou...

domingo, 28 de junho de 2009

Vinte e Nove

Este é o momento...é o momento em que todas as convenções fazem na verdade algum sentido, aquele que nunca antes fizeram. Inexplicavelmente sinto isso mesmo. Não me tenho demorado muito a pensar no assunto, mas quando me surge diante dos olhos em toda a sua acepção não posso deixar de imaginar o que o amanhã me reservou, esse amanhã que na verdade não voltou a chegar.
E o meu mundo fica, assim, no suspenso que eu mesma criei, à espera que o invisível aos olhos se torne no alimmento do coração.

E desta verdade de que falo, ainda nada ouvi contar...por isso ansiosamente a aguardo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Vinte e Oito

Vinte e oito foi o tempo que me fez voltar à realidade...a um quase reencantamento pelo que já conhecia. Agora, não mais tenho essa sensação, perdi o afecto àquilo que me parecia mágico. De desencantamento me apetece falar, gritar pelo também descontentamento que sinto com tudo o que me rodeia neste tempo que me perturba e me torna triste. Aos objectivos que sempre tive, àqueles que nunca virei costas e que sempre me guiaram, pareço nada dizer, não por tê-los esquecido mas porque se esconderam...talvez esteja na hora de procurá-los, de novamente me colocar à prova como tantas vezes fiz. E o mundo gira e torna a girar, nas voltas do antes e nos desabafos do agora, na teimosia de perseguir algo para o qual destino não encontro, segredo não sei...e sinto, sinto tudo, assim, de uma forma qualquer, neste tempo, no seguinte, nas palavras e nas letras que hoje escrevo e nas melodias que lembro, que canto em sons miúdos, daquelas quase inaudíveis... E tantas gargalhadas dei, há anos, há tempos atrás , com planos para o depois, planos que contavam contigo, planos que se fizeram reais, outros que nunca soube como seriam...

E esta falta de objectivo teima em me consumir, como a chama do lume brando consome a madeira, como a água torna solto o lamaçal do leito deste rio, a que chamo vida e que me escorre por entre os dedos, sem me explicar muito bem como. Não vivo esta vida como antes vivi a outra, aquela que foi embora e que não volta, aquela que não tinha explicações para dar e que por si só se explicava..não volto a ver de forma límpida o ar que alimenta o coração, não volto a ver a areia branca da praia que acolhe os meus pés...
Na verdade só me apetece mudar de país , de nome, de mundo...

E desta mudança nada sei, por isso espero....

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Vinte e Sete

Nas horas vagas que passam por mim, penso em várias coisas...como será o dia de amahã, às vezes como foi o de ontem...não raras vezes como foi o de hoje, que depois passa a ser ontem...e em todos os sons que escuto penso em como seria bom ouvir o canto dos pássaros que sobrevoam a minha memória, o coaxar das rãs que se escondem entre os nenúfares da enseada que imagino em minhas ténues lembranças. Nem sempre se escolhe, também nem sempre se sente...às vezes há um vazio em que tudo sobra e em que as cores não brilham, há uma mágica que nos seduz sem alinhamento na partitura dos acordes que nos vedam o querer.

Na distância dos saberes, tudo se mantém inalterado, tudo continua a gravitar em torno do inalterável...gostava que de vez em quando se remexesse nas coisas, nada em particular, nas coisas em geral, para secundarizarmos o menos relevante e enumerarmos sim com atitude ,tudo o que efectivamente importa E assim se escrevem muitas palavras umas com mais nexo do que outras, mas como nada mais me ocorre....ocorre-me sonhar, sim, apetece-me sonhar, mesmo que acordada, com as flores que imagino um dia colocar em meu jardim...

E os sonhos continuam a acontecer, sem mais nada...

sábado, 13 de junho de 2009

Vinte e Seis

Acordei tarde, não muito tarde para quem se deitou cedo pela manhã. Num misto de sensações estendi o meu corpo tentando descansar. A fadiga desta vez não me massacrou, pelo contrário, acho que nem chegou a aparecer. Gente, risos, choros, gritos, palavras que se perderam numa noite inglória, ou talvez com uma glória pequena, escondida, daquelas que apenas se sentem não se vêm nem se tocam. Na verdade, apenas serviu para alimentar o ego, aquele que por vezes fica esquecido no meio de tantas outras coisas que se lhe sobrepõem. Enfim, breves palavras para dizer apenas que já era hora de começar a despertar o som da quimera que quero e preciso que surja depressa, com a mesma pressa com que corro descalsa na areia da praia em tardes mornas de Verão.

Assim te espero...por hora, continuo a caminhar em frente...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Vinte e Cinco

E sim, continuo a sentir saudade do tempo entre tempos, do ano entre anos, da vida entre vidas que passei longe e que não me sai nunca do pensamento, que me suga a energia que tenho nos momentos em que realmente anseio sair novamente...para onde não sei, mas sair e ver e sentir e viver....
Vejo as fotografias que documentam esse tempo e não consigo ficar indiferente, não consigo nunca permanecer imóvel e com o pensamento que foram momentos do passado, que não voltam. Na verdade não encontro partilha desta sensação, mas sinto-a de peito aberto, sinto-o, a querer repeti-lo todos os dias da minha vida. Antes de saber como era, o desejo estava oculto, agora que sei, anseio o próximo momento de êxodo sem o qual não consigo viver. E nesta esperança permaneço, na saudade do que foi e no que há-de voltar a ser, sem contenção. Não deve demorar, na realidade não pode demorar, porque a sobrevivência da sanidade que acalento disto se alimenta.

Na insanidade que vivo, espero pela mudança que urge em se tornar realidade.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Vinte e Quatro

As pessoas são engraçadas na sua forma de sentir, de ser, de se tornarem em mais do que aquilo que são em cada momento que vivem. Descobrem-se coisas extraordinárias, assim, num ápice, quando menos se espera, quando menos se sente, quando tudo parece certo e de repente se torna incerto. Na vida nada se tem por garantido, nem as pessoas que nos rodeiam, nem as coisas que possuímos, nem os sons que ouvimos, nem os lugares que conhecemos. E assim, num abrir e fechar de olhos tudo muda, e fazemos, sem perceber como, as pazes com algo que sempre nos contornou enquanto ser, esse algo que sempre nos disse muito e que agora pouco ou nada, com aquela sensação que nunca conseguimos explicar mas que agora se torna completamente transparente.

Finalmente temos aquela sensação de alívio, de let it go como nunca antes tinha acontecido, e uma paz interior sem ressentimentos nos enche o peito de ar límpido.
Inacreditável para alguém que julgaria nunca mais se livrar de sensações estranhas e completamente extemporâneas. E o nosso suspiro é agora de satisfação, de “passo em frente”, para uma nova liberdade, não em todo o sentido da palavra, mais no sentido da própria libertação do ser. O ser humano tem coisas inacreditáveis. E agora tenho a paz de espírito para prosseguir, sem as voltas opacas de antes, sem as incertezas e medos do dia de amanhã. A sensação é boa, é reconfortante e sem culpas, sem a culpa de não ter sido, de não ter feito, sem a culpa de não ter seguido aquele caminho, sem a vontade de insistir mais num ponto sem retorno.
O luto fez-se!

E assim adormeci sorrindo, de olhos no amanhã e esperando por...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vinte e Três

Viajei vezes sem conta em todo o universo que conheço, na verdade, até no universo que não conheço, aquele que nunca vi mas que sempre imaginei existir. Estes sonhos não se explicam, sentem-se. Na verdade sentem-se por pessoas assim, que sempre querem algo mais do que o que têm ou do que realmente conhecem...assim sou eu. Não gosto de estar parada, sempre com as emoções à flor da pele, para o bem e para o mal, para o leve e para o pesado, para o alegre e para o triste, nunca para o drama porém...não gosto de dramas, pelo menos, não de os viver na primeira pessoa, depressa me livro das situações embaraçosas e limpo os pensamentos, o corpo e alma para depois seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Há recaídas, é verdade, aqui e ali, hoje e amanhã, com lágrimas por vezes, coração apertado, mas há que passar à frente, lutar um pouco mais com o nosso próprio ser e partir para outra volta.

Poderia dizer mil e uma coisas de todo o meu vocabulário aprendido e ainda do que gosto de inventar, mas não me apetece. Agora não me apetece. O que quero é saber o que está para além da cortina de fumo que me atrapalha os sentidos. Não consigo perceber. Dizem ser o tempo para pensar, para reflectir, reviver a individualidade, que na verdade nunca deixei de ter. Está bem! Estou a vivê-la ao máximo e depois? Depois o que há? Sou livre e estou livre para ser, para estar, para cantar, dançar...viver. Todos os dias vivi esses momentos de liberdade com toda a emoção que sei, toda a que sempre tive e que sempre quis partilhar. E ao longe quem vem? Quem está? Tudo e todos que sempre estiveram ou que foram chegando aos poucos, que simplesmente ficaram do ontem para o hoje, que esperam pelo amanhã.

Se calhar ainda é cedo...se calhar ainda falta tempo para mais, para mais coisas, para mais tempo, para mais vida. Se calhar ainda é preciso ter mais tempo para o MEU tempo, para tudo.

Se calhar ainda não é amanhã que...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Vinte e Dois

Nada se perde, tudo se transforma. Alguém o disse, e começo a chegar à conclusão que também o podemos sentir, nem só dizer. Hoje é um dia NIM...nim é uma boa palavra, não é não, não é sim, mas é qualquer coisa que descreve como me sinto, assim, vivendo o presente ainda com resquícios de um passado que teima em me consumir. Será que todos são assim? Acho verdadeiramente que não, mas será isto defeito, feitio, ou mal da idade? Da idade não deve ser porque não é assim tão tarde no tempo que justifique sê-lo. Em mim há sempre esta sensaçãozinha estúpida e um tanto ou quanto mórbida de coisas que vivi, e de sensações que senti. Não deve ser saudável este NIM, não deve mesmo ser nada recomendável, mas não o consigo evitar, is completly useless.

A insatisfação de que ontem falei, deve mesmo ser responsável por este novo sentimento idiota, a falta do óbvio também, ainda que eu o deteste, mas pelos vistos não há forma de contornar este elemento que o ser humano intrinsecamente considera para se completar, mesmo tentando não o ter.

Lembro-me recorrentemente da minha mãe contar que quando eu era pequena e ela às compras com o meu pai, eu nunca pedia nada...nunca nada de concreto, dizia apenas: “traz-me uma coisa”. Esta coisa nunca tinha nome, nunca tinha cor, nunca tinha nada, eu queria uma coisa mas não sabia o quê, na verdade acho que gostava da sensação da surpresa...ainda gosto na verdade. É esta mesma sensação de surpresa que continua a perseguir-me, quer dizer, na realidade acho que não me persegue, acho que faz mesmo parte de mim, e por isso, vivo sempre nesta busca incessante de algo que não conheço, relembrando o que me fez muito feliz, por isso o recordo, como alguém disse: “todos os dias da minha vida” e como eu acrescentei “todos e mais alguns que estão para vir”.

Quero esse passado de volta, esse que me faz vibrar de cada vez que o recordo, de cada vez que dele falo, quero voltar à liberdade de ser e fazer, estar longe e ao mesmo tempo tão perto, pelas palavras, pelas imagens, pela vontade de ser o que sou hoje, o que ontem fui e amanhã serei. Sou sempre assim, como me mostro, como me descrevo, como falo. Quero esse mundo, esta solidão que me dava prazer, esta vida cheia de luz e alento que dava a força para continuar, quero esse mundo de volta. À insatisfação que dantes falei, junto esta minha teima em relembrar o que já antes tudo me disse, tanto que o continuo a saborear com todo o prazer do mundo o que vivi nesse tempo, tão longe, tão meu, tão solitariamente meu, que não conseguirei nunca fazer entender o que se passou e passa em mim.

E o futuro passa por...

Vinte e Um

Hoje aprendi uma lição, quase poderia dizer que é uma Lição de Vida, daquelas que tão poucas vezes aprendemos durante o nosso tempo últil neste mundo. Interessante também, são as pessoas que nos conseguem transmitir tais pensamentos, ou introspecções melhor diria, e assim, vindo do nada, eis que damos por nós a pensar em frases não feitas, sim em palavras compostas que nos transmitem algo, uma força, sempre intangível, e que nos mostra um caminho. Hoje aprendi a ser feliz...quer dizer, aprendi como tão pouco pode ser muito para alguém, e como esse tão pouco pode ser o suficiente para se ser feliz. A felicidade não se mede, não se encontrou ainda medidor para tal sensação, contudo, parece-me que com o passar dos anos, com as vivências, com as experiências, cada um encontra um molde à sua medida, à medida daquilo que acha, ou pensa ser o suficiente para que possa dizer: Eu sou feliz.

Para pessoas da minha estírpe, assim, daquelas que nunca estão satisfeitas com nada, ou que pelo menos, se sentem "felizes" durante algum tempo mas que estão sempre na incessante procura de algo mais, de outro mundo, de outra lógica, de outro something, é muito complicado estabelecer padrões para que possa dizer que está feliz. Mais pertinente é continuar a pensar que são pequenos apontamentos que nos dão essa sensação, e que por nunca estarmos completamente satisfeitos ou realizados, continuamos sempre na incessante procura do que nos fará mais feliz a seguir.

E ser feliz é...

terça-feira, 26 de maio de 2009

Vinte

Hoje fui pela primeira vez ver o mar. Há muito tempo que o não via, que o não cheirava, que não perdia o meu olhar por si adentro como se me afogasse nas poucas ondas que o faziam parecer rebelde. O vento vibrava na areia, fazia voar os meus cabelos desalinhados e fez-me recordar que aquele lugar já me tinha dito algo mais. Já houve um tempo em que tudo aquilo me disse algo mais do que uma simples brisa em meus sentidos. Nâo foi assim há tão pouco tempo, também não foi há muito, para mim foi há tempo quase suficiente...mas, este quase continua a entreter a minha memória e a fazer-me pensar que algo se perdeu, muito se perdeu, e que isso, são significados irrepetiveis. Não faria sentido se dissesse o contrário, não faria sentido algum se negasse sentimentos que fizeram parte de mim e que me vão sempre acompanhar. Não foram momentos efémeros, foram anos de vida irrepetível, porque há coisas e sensações que se vivem uma única vez, ainda que muitas outras se repitam. Não o digo enquanto lamento, muito menos arrependimento, digo-o com a saudade de quem deu muito e recebeu talvez, outro tanto em troca.

Estas são as minhas partilhas, não as posso nem consigo esquecer. Todas as leviandades da vida são importantes, estas de que falo, não são contudo leviandades, simples ,são breves instantes que recordo com carinho, com amor...não voltarão a fazer parte de mim, da minha vida, da minha vivência, não posso contudo deixar de notar a falta que me fazem. Apesar de todo o tempo que ja passou, e que continua a passar qual relógio de ponteiros afinados, penso ainda na vida que existe, que se vive e realiza paralelamente à minha, num paralelo que já foi porém, tão singelamente próximo que alturas houve em que se completava. Fazíamos parte das rotinas, uns dos outros, das considerações, dos pensamentos, agora , agora fazemos parte das lembranças, da saudade...não da mágoa, espero, mas da vontade que fica em partilhar os risos e sorrisos que que nos alimentaram durante tanto tempo.

Não se poder ter tudo e a vida é mesmo assim, cheia de cedências, não a posso porém, considerar totalmente justa...mas na verdade nada o é...

Até um destes dias, no café, no lanche, na vida.
Um beijo a todos, com carinho!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dezanove

Perdi o texto que tinha escrito sob o número dezanove. Naturalmente que não vou conseguir reproduzir o seu conteúdo, e isso, irrita-me profundamente. Sem falsas modéstias, gostaria de dizer, que o que um escritor escreve de forma intuitiva, qundo apagado, esvai-se da sua memória...assim é, e é assim também aqui. Não me consigo recordar das palavras que já fizeram este número. Lembro-me que falei do sol, da areia do deserto, do mar...lembro-me que falava dos sentidos, sim, dos sentidos, da voracidade das palavras, do oblíquo dos sons que nos trespassam a alma e da falta que nos faz tudo isto para alimentar o nosso alter ego, deus maior da nossa própria sabedoria.

Escrevi que gostava de viver o suficiente para poder sentir que tive uma vida cheia, e vazia quando quiz, que senti todas as texturas, que ouvi todos os sons e que saboreei todos os paladares, que disse sempre tudo, e que o que ficou por dizer, não era importante. Que o mundo vai girando sem que nos apercebamos por vezes da imaturidade dos dias que passam por nós. Das vezes em que simplesmente não me apetece abrir os olhos para encarar a rotina que me vai mantendo ainda ssim viva, e que por conseguinte, me sugere permanecer em meu leito mais alguns minutos, horas, dias por vezes, até me vergar perante a necessidade de erguer o meu corpo e dar passos em direcção a algo.

Lembrava que somos todos mais do que aquilo que vemos reflectido em qualquer espelho, que a nossa alma se embrenha em muito mais do que simples palavras, que precisamos sempre das melodias, de todas as que pudermos escutar, de um piano que toca nem que seja ao longe e que nos enebria o coração.

Lembro-me que falei do mundo a girar, deste mundo que partilhamos com outros, e que dele queremos sempre tudo, o máximo, e que na verdade em meu entendimento, nem sempre conseguimos dele o melhor partido tirar. Mas ainda assim, no meio de todo este turbilhão que me acompanha, desta insatisfação permanente que me impede de olhar a direito, ganho a coragem necessária para dizer com toda a vontade de que sou capaz:

Até amanhã!

domingo, 24 de maio de 2009

Dezoito

Tudo parece fugaz...o tempo, o sol, a terra, o mar, o vento que nos acolhe os pensamentos. Quero a todo o custo que aqueles momentos quentes durem mais tempo, que o vento sopre apenas mais um instante para que a calmia da tarde me pareça eterna. No debrum deste entardecer, folheio com gosto mais umas páginas do livro de histórias que me acompanha e que escolhi para os momentos em que me deleito com o prazer deste entardecer, prazer que fiz ser um hábito.

Congratulo-me com o tempo de partilha com a natureza, no qual deixo os pensamentos voarem para longe, respiro e oiço a música que me faz vibrar, e aguço o olhar para sentir tudo o que os meus sentidos conseguem captar num pedacinho de tempo que reservo só para mim no lugar de sempre, e que elegi para escutar e alimentar a alma.

E depois, quero que depressa seja outro daqueles dias, em que posso vir até ti, lugar, para me sentir assim, na reserva dos meus sentidos, na reserva da corte que te faço, a ti vida, que tento alimentar na sobriedade dos dias que te compõem e na loucura dos momentos que te transformam.

Dezassete

~Quase um ano volvido, resolvi ressuscitar as palavras que me acompanharam em fase de transição, e retomo assim às melodias deste piano com que espero alimentar a minha alma.

Corre-me nas veias a necessidade da expressão, e isso é algo a que definitivamente não posso, e nem quero fugir.

O número dezassete nada me diz em particular...ou talvez, se pensar melhor, possa indicá-lo como o momento da primeira mudança...talvez este seja seja o sinal para me dizer a mim mesma, que está na altura de uma outra, não obstante todas as que em doze anos, entretanto ocorreram.

A vida continua todos os dias em que conseguimos abrir os olhos, por isso, aqui estou de volta.