Com veemência, sugamos toda a energia que nos rodeia, a que emanamos nós mesmos, mas também a que nos é enviada, umas vezes com amor, outras apenas com desprezo, daqueles que nos amam, dos que nos detestam, daqueles a quem simplesmente incomodamos ou dos que não sentem nada por nós. E é nesta roda viva de energias cruzadas que te encontrei, no encontro e desencontro das emoções que as canções que me cantas me fazem sentir, assim, louca, livre, fiel a ti, somente a ti, que me embalas com a tua mão, quando me tocas no ombro, ou passas o teu braço pela minha cintura, como se me sentisses em ti, tão junto a ti, que quase podíamos ser só um.
E na tormenta deste pensamento, conto os dias e as horas do mundo, para voltar a encontrar os teus olhos, no cruzamento das energias em planos verticalmente isolados, ou horizontalmente cruzados, conto os tempos do relógio, não de forma obsessiva, simplesmente com o desejo de que o teu olhar cruze o meu na intensidade daquilo que sinto quando te penso e sinto entrar na minha alma... pode não resultar, pode até simplesmente não acontecer, mas era tão importante que neste tubo de ensaio se criasse o elixir de qualquer coisa tão simples como o existir por momentos, a criação momentânea, instântanea, fugaz mas forte, forte o suficiente para tatuar a lua que sempre nos olha de cima com ar de aprovação.
Agora que o ciclo se quebrou por fim, que dele já nada resta e me sinto completamente livre para dar o passo seguinte, aquele que se dá em frente, na perseguição do que ainda não tivémos como nosso, mas que sei chegará, é o momento certo para tudo o que aqui dito neste pedaço de tempo se concretize com a simplicidade com que o escrevo.
Chegarás a tempo?